Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento
dos Atingidos por Barragens (MAB) invadiram, no final da manhã de ontem, a sede
do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A ocupação foi
um protesto para reivindicar agilidade na reforma agrária no Estado e também
contra a possibilidade de alguma pessoa indicada pela bancada do Estado no
Congresso Nacional – sob o comando do senador João Ribeiro (PR) – assumir o
comando do Incra no Tocantins.
Os trabalhadores rurais estão descontentes com a falta de ações efetivas
em prol da reforma agrária. Segundo eles, há famílias que estão esperando há
dez anos para serem assentadas no Estado. Por volta das 15 horas, os sem-terra
e o MAB desocuparam o prédio. Contudo, eles vão manter acampamento à frente do
Incra até pelo menos a próxima segunda-feira, quando os coordenadoresdos
movimentos devem ser recebidos pelo superintendente do Incra, Ruberval Gomes da
Silva, que está de férias. Ao todo, o acampamento conta com cerca de cem
pessoas.
A reunião que acertou a desocupação do espaço ontem, quinta-feira, 28, à
tarde contou com as participações do coordenadores do MST no Estado, Antônio
Carlos Bandeira, e Cleudina Matos, e dos coordenadores do MAB no Tocantins,
Cirineu da Rocha, e Maria da Ilha. Pelo Incra, participaram o do encontro o
procurador Daniel Martins, o assistente técnico Benjamin Mendes, o diretor de
Obtenção de Terras do Incra, Luiz Amado, e o assessor de comunicação Flávio Freire.
Após essa reunião e a desocupação, os dois movimentos entregaram, por
escrito, uma pauta com as suas reivindicações para o Incra. As ações do MST de
ontem fizeram parte do Abril Vermelho, mobilização nacional dos sem-terra na
luta pela reforma agrária.
Política
Para os movimentos, a briga política entre partidos por cargos, que pode
acarretar com que o senador Ribeiro fique com a incumbência de indicar o
próximo superintendente do Incra, não é boa. Segundo Antônio Bandeira e Cirineu
Rocha, se alguém do grupo do parlamentar assumir o órgão no Tocantins a relação
com o Incra irá mudar completamente e para pior. “Aí nós vamos sentar a
reavaliar tudo o que está sendo feito”, frisou Bandeira. Para Rocha, o senador
e o restante da bancada tocantinense no Congresso Nacional representam a defesa
dos interesses de grandes fazendeiros e, desta forma, não têm qualquer
compromisso com a reforma agrária.
Marcha
Antes da ocupação do Incra, os manifestantes foram recebidos na
Prefeitura de Palmas, em um café da manhã na frente do Paço Municipal. Na oportunidade o secretário municipal de Governo,
Pedro Duailibe, representou o prefeito Raul Filho (PT), que estava em São
Paulo.Durante a marcha de Taquaralto até o centro da Capital, os manifestantes
contaram com o respaldo de um caminhão com auto-falante. Faixas, bandeiras do
MST e do MAB coloriram a caminhada. A manifestação contou com a presença do
vereador Bismarque do Movimento (PT).
Fazenda
Na semana passada, os integrantes do MST e do MAB invadiram a fazendo
Dom Augusto, em Porto Nacional. A invasão também foi pacífica e não houve
qualquer danificação de equipamento ou produção do complexo rural. A saída dos
trabalhadores rurais ocorreu por decisão judicial que concedeu a reintegração
de posse ao dono da fazenda. (Jornal do Tocantins)
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