
Misturo as cinzas da terra com meu arado de ouro e canto incisivamente a melodia que brota em meu coração.
Transito entre dunas que existem no meu interior. Só encontro oásis ilusórios de uma felicidade inexistente.
Desfolho as camadas de teu ser - no – mundo,
vislumbro orvalhos congelados pela tua atmosfera etérea.
Cavalgo ondas de quinze metros...
Deslizo nos vales de teus cabelos em busca dos mistérios que te circundam.
Realizo acrobacias ao vento para me equilibrar no fino arame que divisa a loucura da saudade com a lucidez permitida pelos que não sentem nada.
Artista do mundo sou eu.
Enfrento tempestades do ontem no intuito de ser salva pelos relâmpagos que iluminam meu hoje.
Fragmentos que junto e coloco no baú antigo, secular.
Lugar onde guardo os cacos das infindas vezes que fui rudemente partida pelas pontas afiadas, cortantes, tétricas, gélidas que são o substrato de meu idílio.
Incólume, sigo em minha labuta diária, mas não descanso dessa arte insana e efêmera de catar estrelas nos mares.
Oscilo entre ser feliz e ter o coração partido em fractais,
que te completam.
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