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Guerra Civil Síria[92][93][94][95] (as vezes referida como
Revolta Síria) é um conflito interno em andamento na
Síria, que começou como uma série de grandes protestos populares em
26 de janeiro de
2011 e progrediu para
revolta armada em
15 de Março de 2011, influenciados por
outros protestos simultâneos na região. As manifestações populares por mudanças no governo foram descritas como "sem precedentes".
[96] Enquanto a oposição alega estar lutando para destituir o presidente
Bashar al-Assad do poder para posteriormente instalar uma nova liderança mais democrática no país, o governo sírio diz estar apenas combatendo "terroristas armados que visam desestabilizar o país".
[97]
O presidente Bashar al-Assad afirmou que seu país está imune a todos os tipos de protestos em massa como os que ocorreram no
Cairo,
Egito.
[100]
Os protestos em 18 e 19 de março foram os maiores que ocorreram na Síria em décadas, tendo as autoridades sírias respondido com violência contra os manifestantes. O
Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon, chamou o uso da força letal de "inaceitável".
[101]
Após a morte de mais de oitenta rebeldes sírios, a
União Europeia, representada por
Catherine Ashton, classificou a situação do país como "intolerável" e solicitou que reformas ocorram na Síria.
[102]
Em resposta aos protestos, o governo sírio enviou
suas tropas para as cidades revoltosas com o objetivo de encerrar a rebelião.
[103] O resultado da repressão e dos enfrentamentos com os protestantes acabou sendo de centenas de mortes, a grande maioria de civis.
[104] Muitos militares se recusaram em obedecer às ordens de suprimir as revoltas e manifestações, e alguns sofreram represálias do governo por isso.
[105] No fim de 2011, soldados desertores e civis armados da oposição formaram o chamado
Exército Livre Sírio para iniciar uma luta convencional contra o Estado. Em 23 de agosto de 2011, a oposição finalmente se uniu em uma única organização representativa formando o chamado
Conselho Nacional Sírio.
[106][107] A luta armada então se intensificou, assim como as incursões das tropas do governo em áreas controladas por opositores.
[108] Em 15 de julho de 2012, com grandes combates irrompendo por todo o país, a
Cruz Vermelha internacional decidiu classificar o conflito como
guerra civil (o termo preciso foi "conflito armado não-internacional") abrindo caminho à aplicação do
Direito Humanitário Internacional ao abrigo das
convenções de Genebra e à investigação de
crimes de guerra.
[109][110]
Segundo informações de ativistas de direitos humanos dentro e fora da Síria, o número de mortos no conflito pode chegar a 40 000 pessoas,
[111] sendo mais da metade de civis.
[112][113][114][115][116] Outras 100 mil pessoas teriam sido detidas pelo governo.
[117] Pelo menos 250 mil sírios já teriam buscado refúgio no exterior para fugir dos combates, com quase metade destes tomando abrigo na vizinha
Turquia.
[118]
No momento da revolta, Síria se encontrava sob
estado de emergência desde 1962, sendo assim suspensas as garantias constitucionais que protegem a população síria. Então o regime instalou um
estado policial, suprimindo qualquer manifestação pública que fosse contra o governo. Durante esses anos, distúrbios civis foram fortemente reprimidos, causando centenas de mortes, como no
massacre de Hama.
[119] O governo sírio justificou o estado de emergência, dizendo que a Síria estava em estado de guerra com
Israel.
Um manifestante anti-Assad grafitando na parede de um prédio a frase "Derrubem al-Assad", em maio de 2011.
No último golpe de estado,
Hafez al-Assad tomou o poder como presidente, liderando o país por 30 anos e proibindo a criação de partidos de oposição e a participação de qualquer candidato de oposição em uma eleição.
Como vários outros países do oriente médio, a Síria sofria com retrações econômicas e altos índices de desemprego que chegava a 25% da população.
[124] A situação socio-econômica, como a deterioração do
padrão de vida, a redução do apoio do governo aos pobres como consequência da adaptação da economia para um mercado aberto, a erosão dos subsídios para bens e agricultura, sem uma indústria estável e índices de desemprego altos entre jovens incitaram o descontentamento popular.
[125]
A situação dos direitos humanos na Síria também era considerada deplorável, conquistando várias críticas de organizações estrangeiras.
[126] O país ficou sob
estado de exceção de 1963 até 2011, o que dava as forças de segurança a autoridade de prender qualquer um que quisessem sem declarar um motivo.
[127] Movimentos pró-democracia liderados, na maioria das vezes, pela Irmandade Muçulmana, foram mal recepcionados pelo governo que reprimia qualquer manifestação de oposição.
[127] Todos os partidos políticos foram banidos da Síria, fazendo do partido do governo o único a concorrer nas eleições.
[128]
Em uma entrevista feita em 31 de janeiro de 2011, al-Assad declarou que era tempo de fazer reformas, frente as revoltas de demanda popular que derrubaram governos no
Egito, na
Tunísia e no
Iêmen, e que falou que uma "nova era" estava chegando ao Oriente Médio.
[129][130] Segundo grupos de oposição, a lentidão ou não cumprimento das promessas de reformas incitaram a população a se manifestar contra o governo em massa.
[131] Os primeiros protestos começaram em janeiro e foram reprimidos duramente pelo governo.
[132] Ainda no mesmo mês, uma manifestação em
Ar-Raqqah terminou com dois mortos.
[133] Protestos em Al-Hasakah acabaram sendo dispersados pelas forças de segurança leais ao governo e centenas foram presos.
[134] A rede de tv árabe
Al Jazeera reportou a violência usada pelas forças de al-Assad na repressão e se disse preocupada com o risco de uma
insurreição popular nos moldes da
Líbia.
[135]
[editar]Oposição síria
Os primeiros grupos de oposição na Síria foram formados em 2005, em protestos contra o regime de Assad. Em 2011, com a implantação de protestos anti-governamentais na Síria, começaram a consolidação de grupos numerosos de oposição. Na formação do
Conselho Nacional da Síria (CNS), foi lançado oficialmente na Turquia, em 23 de agosto de 2011. Em outubro, foi formado uma coalizão dos sete principais grupos políticos, que tem 230 membros, alguns sendo sírios da
diáspora na
França e na
Turquia.
[136] Em setembro de 2011, foi nomeado o presidente do CNS o analista político Burhan Ghalioun, que vive na França, que rejeita a proposta de intervenção militar estrangeira, mas também pede a "proteção internacional" para a oposição, ao contrário do que aconteceu na Líbia, onde uma
zona de exclusão aérea foi implementada, mas em 2012 o CNS pediu um apoio maior das potências estrangeiras, sugerindo uma pequena zona de exclusão sobre o território sírio, proposta esta negada pelo Conselho de Segurança da ONU.
[137][138] A
Irmandade Mulçumana Síria, alguns dissidentes curdos, vários independentes dissidentes sírios e os chamados "Comitês de Coordenação Locais" foram alguns dos principais grupos envolvidos que também se envolveram na organização e coordenação das manifestações contra o governo. Estes argumentam que representam aproximadamente 60% da oposição síria. O
Exército pela Libertação da Síria (ELS), comandado pelo coronel Riyad al-Asad, formado por centenas de soldados desertores do
exército nacional, foi fundado em 29 de julho de 2011 e passou a ser o braço armado da oposição.
[139][140]
Outro grupo de oposição notório é o
Comitê Nacional de Coordenação para Mudança Democrática, que de início fazia oposição e rivalizava com o CNS e com a Irmandade Muçumana e depois passou a pregar a unidade da oposição.
[141] É constituída por um
socialista,
marxista e partidos
curdos. Formado em setembro, liderado por
Hassan Abdul-Azim, tem o objetivo declarado de "derrubar o regime dos Assad." O Comitê Nacional se recusou a participar de negociações com o governo, alegando que as autoridades "estão apenas tentando ganhar tempo para a eliminação da insurreição." Um dos líderes do grupo,
Haytham Manna, disse que quem pede a intervenção estrangeira na Síria é "traidor". Os Conselhos Locais de Coordenação na Síria, fundado em agosto de 2011, argumentam que os rebeldes estão em toda a Síria, e que se recusam a "intervenção estrangeira e ao
sectarismo" e dizem não à violência.
[142][143][144]
[editar]Fim do estado de emergência e intensificação dos protestos
Os protestos anti-governo se intensificaram em fevereiro de 2011, forçando as autoridades sírias a enviar tropas do Exército e outras forças de segurança para as ruas do país. Água e eletricidade se tornaram escassas nas cidades sitiadas como
Daraa, onde as forças do governo supostamente confiscavam os suprimentos da população.
[145] Uma situação similiar foi relatada na cidade de
Homs.
[146] Em maio, o Exército Sírio também iniciou o cerco as cidades de Baniyas, Hama, Talkalakh, Latakia e
Al-Midan, além de vários distritos de Damásco e dezenas de outras cidades pelo país que também foram ocupadas por manifestantes da oposição.
[147][148]
Portando cartazes e bandeiras nacionais, o povo protesta contra o governo em
Damasco,
capital do país em 08 de Abril de 2011.
Em 23 de agosto, em
Istambul na
Turquia, nasce o
Conselho Nacional Sírio principal grupo dissidente da oposição política.
[149]
Falando à Assembleia do Povo, em abril, num discurso transmitido pela televisão, o presidente Bashar al-Assad declarou que esperava que o governo levantasse as leis de emergência em vigor há
décadasno país, reconhecendo que há um grande buraco entre o governo e o povo, e que o "governo tinha que atender às aspirações populares".
[101] Em
19 de abril, o governo aprovou um decreto que suspende o
estado de emergência pela primeira vez em 48 anos.
[150] Em resposta ao decreto, a
Anistia Internacional declarou que "as promessas do presidente Al-Assad soam falsas e que as medidas adotadas são muito fracas em relação às reformas políticas tão necessárias no país".
[151]
Apesar das medidas, a continuação dos confrontos entre os manifestantes e as forças de segurança do governo em
Homs,
Damasco,
Banias,
Kiswah e
Qamlishi, levou a um banho de sangue no país em 22 de abril, com mais de 70 mortos.
[152] Segundo a Anistia Internacional, o número de mortos nas manifestações que começaram desde a metade de março é de 228 manifestantes. A
Human Rights Watch também exigiu do governo sírio, que permita que os cidadãos do país tenham direito à liberdade de reunião.
[153]
O governo continuou a pressionar a população e em
26 de abril,
tanques do exército foram enviados à
Deraa, a cidade onde as manifestações começaram na Síria, e tropas abriram fogo contra manifestantes locais, causando pelo menos 35 mortes. Cerca de 500 ativistas foram presos no mesmo dia em todo o país.
[154] Em maio, o governo dos Estados Unidos, através de uma ordem executiva do presidente
Barack Obama, determinou o congelamento de todos os bens e ativos pessoais de Assad e mais seis integrantes do governo sírio no país, assim como a proibição de cidadãos e empresas norte-americanas de fazerem negócios com essas pessoas.
[155]
Em 12 de novembro de 2011 a
Liga Árabe decidiu por 18 votos a favor, 3 contra (Síria, Líbano e Iémen) e uma abstenção (Iraque) suspender a Síria da organização, até que o governo de Damasco ponha fim à violência contra os manifestantes anti-governamentais.
[156]
Em Outubro de 2011, a Rússia e a China usaram o veto para bloquear uma resolução do Conselho de Segurança contra o governo sírio. Em novembro uma agência de notícias síria disse que navios de guerra russos devem chegar em águas territoriais da Síria, indicando ser uma mensagem de Moscou para o Ocidente contra qualquer intervenção,
[157][158] anteriormente em 2010, de acordo com a agência de notícias russa
RIA Novosti, a Rússia pretendia ter uma base naval no porto de
Tartus na Síria.
[159] Todos os países do
BRICs e o
IBSA (incluindo o Brasil) apoiaram esta ação.
[160]
Al-Assad declarou que há uma "conspiração estrangeira". O financiamento dos Estados Unidos a oposição, inclusive ocorrendo durante anos, foi revelada em supostos telegramas pelo
Wikileaks. O
Washington Post divulgou parcialmente esses telegramas do Wikileaks. Ainda segundo o telegrama existe um envolvimento do
Movimento pela Justiça e Desenvolvimento (MJD) de exilados em
Londres, que teria ligação com a televisão londrina
Barada TV transmitida via satélite para a oposição Síria, acredita-se que esses financiamentos começaram em 2005.
[161][162][163][164]
No fim de 2011, as forças do governo sírio continuaram a reprimir os manifestantes, prendendo centenas de pessoas e deixando milhares de vítimas. A oposição síria relatou casos de estupros, assassinatos e alegou que milhares de civis estavam sendo expulsos de suas casas pelas forças do regime. O governo, por sua vez, negou as acusações.
[165] Em janeiro, uma pesquisa feita pela YouGov Siraj na Síria, encomendada pelo
The Doha Debates, financiada pela
Fundação Catar, chegou a conclusão que 55% do povo sírio queria a permanência de Assad no poder por medo de uma guerra civil ou de uma intervenção militar estrangeira no país. Porém, uma porcentagem similar da população demonstrou-se favorável a permanência do presidente no poder desde que ele convocasse eleições livres para o seu cargo. O governo então prometeu eleições mas a transparência destas foi questionada pelas potências ocidentais e ativistas fora do país.
[166]
No final de fevereiro de 2012, frente ao aumento considerável de protestos e da pressão internacional, o governo sírio anunciou uma nova
Constituição (obtendo o
pluripartidarismo e sem necessariamente diminuir a permanência no cargo ou o poder do
Chefe de Estado). O governo central afirmou que a nova lei só entrará em efeito após as próximas eleições presidenciais marcadas para 2014. O novo artigo 88 determina que o Presidente pode ser eleito por dois mandatos consecutivos de sete anos cada, sem diminuição de sua autoridade. Se reeleito, Assad poderia se garantir no poder por mais 16 anos, no mínimo.
[167] Aprovada num referendo, onde segundo dados do regime, 57% dos eleitores compareceram e, segundo o governo, o resultado concluiu que 90% foram a favor.
[168][169] O regime sírio afirmou que o resultado da votação foi "um respaldo às reformas promovidas por Assad" desde o começo da rebelião popular. A oposição e os países ocidentais classificaram o resultado como sendo falso com objetivos de manter Assad no poder.
[170] Líderes da oposição siría acusaram a votação de ter sido fraudulenta e alegaram que ela "em absoluto não representava o desejo do povo sírio". "A prova (desta falta de apoio) é o número de manifestações que houve ontem à noite, o número de greves e o número de mortos que foi registrado enquanto Bashar enganava seu povo", afirmou Rafif Jouejati, porta voz da oposição.
[169] Dias após a votação, o governo de Assad voltou a atacar manifestantes e cidades em controle de opositores, matando pelo menos 144 pessoas.
[171] Segundo um porta-voz da ONU, a prioridade do governo de Assad deveria ser "por fim à violência e só nessas condições pode ter lugar um processo político que responda às aspirações dos cidadãos". A União Européia também reforçou o pedido de rapidez na transição politica do país e lançou novas sanções contra a nação em resposta a escalada de violência perpetrada pelo governo.
[167]
De acordo com grupos contrários ao regime e com o observatório de direitos humanos da ONU, nenhuma das reformas prometidas por Al-Assad foram implementadas, enquanto o governo prosseguia com a repressão politica.
[172]
[editar]Repressão e primeiros enfrentamentos
Protestos da oposição na cidade de Baniyas, 28 de abril de 2011.
Manifestantes da oposição em Homs.
Em resposta a maior intensidade dos protestos, o governo sírio mandou várias unidades do
Exército e das
Forças Armadas do país para por fim as manifestações e várias cidades foram cercadas e bombardeadas causando muitas mortes.
[103][104][173] Homs, uma das maiores cidades do país e a maior sob controle da oposição,
foi atacada e bombardeada por aviões e artilharia.
[174] A comunidade internacional e ativistas dos direitos humanos denúnciaram a matança indiscriminada de civis e pediram o fim da violência.
[175] A Líga Árabe fez então uma proposta de paz que foi veementemente negado pelo governo central que alegou que estava lutando contra terroristas e não sufocando protestos.
[176]
De acordo com várias testemunhas, soldados do governo que se recusavam a disparar contra civis eram sumáriamente executados pelos próprios oficiais.
[177] O governo sírio negou as deserções de seus militares e culpou "gangues armadas" pelos problemas.
[105]
No fim de 2011, civis e soldados que desertaram o exército nacional se unificaram para iniciar uma campanha de insurgência organizada contra o Estado. Foi criado então o "
Exército Livre da Síria" e os combates então se intesificaram.
[178] Em fevereiro de 2012, o governo de Bashar al-Assad iniciou uma grande ofensiva contra as cidades controladas por opositores, em especial Homs que foi bombardeada por quase três semanas.
[179][180]
Segundo grupos de ativistas de direitos humanos, no começo de 2012, mais de 11 mil pessoas já haviam morrido na Síria por causa da violência do governo contra os manifestantes e de outras ações armadas,
[115] com isso mais de 7 mil refugiados teriam fugido para o
Libano,
[181][182][183] o governo deste país informou depois de uma reunião com o governo americano que pediu para que protegesse os refugiados da Síria, o então Ministro de Exteriores Adnan Mansour. "Nós não queremos um novo
campo de Ashraf, no Líbano", disse Mansour, em uma alusão ao campo de dissidentes
iranianos Mujahidin "el-Halk", localizado no
Iraque.
[184]
Em 23 de fevereiro, dois jornalistas estrangeiros (um francês e uma americana) foram mortos depois que o prédio onde eles estavam em
Homs foi bombardeado por forças do governo.
[182] A comunidade internacional rapidamente condenou o ocorrido. "Isto é um aviso triste sobre os riscos que os jornalistas correm para informar o mundo do que se passa e dos acontecimentos horríveis na Síria", afirmou o primeiro-ministro britânico
David Cameron.
[185] Pelo menos 24 civis morreram no mesmo episódio de violência.
[182] O governo sírio negou a responsabilidade pelas mortes e afirmou que os jornalistas em questão entraram ilegalmente no país. O ministério de relações exteriores do país ainda afirmou que pelo menos 200 delegações da imprensa tiveram entrada permitida no país mas não revelou de onde eram ou para quem trabalhavam.
[186] Em 1 de março, o exército sírio anunciou a conquista do bairro rebelde de Baba Amr, em Homs, após dois dias de combates. Os rebeldes declaram que a retirada das suas posições na área foi um "recuo tático" e se declararam preocupados com um possível massacre na tomada de seu reduto em Homs. No mesmo dia o Conselho Nacional sírio anunciou a criação de um "Gabinete Militar" para unificar a estratégia de luta contra o governo.
[187] Na tarde do dia 6 de março, o Crescente Vermelho sírio finalmente conseguiu acessar o bairro de Baba Amr, cujo o acesso era impedido pelo governo, fornecendo ajuda humanitária e constatando que a maioria dos moradores se transferiram para outras regiões já visitadas pela sua equipe na cidade de Homs, afirmou o
Comitê Internacional da Cruz Vermelha. As autoridades sírias então se reuniram com a enviada da
ONU, Valerie Amos, e afirmaram ter encontrado corpos de vários estrangeiros na região, inclusive um corpo de um europeu que teria ajudado os rebeldes, encontrado com documentos de um jornalista espanhol que alegou ter perdido durante o conflito. A agência estatal de notícias síria Sana informou que o Minitério de Relações Estrangeiro do país salientou que as lideranças do governo estavam apenas tentando satisfazer as necessidades dos civis, apesar das "injustas sanções" impostas por alguns países árabes e ocidentais.
[188][189] Após anunciar estar no controle de Homs, informação esta negada pelos rebeldes e pela Comunidade Internacional, o governo de Damasco lançou novas ofensivas contra outras áreas tomadas por manifestantes opositores.
[190][191]
Segundo a ONU, a intensidade dos protestos, a escalada da violência e o aumento da repressão do governo estavam levando o país para uma guerra civil.
[192]
Em 1 de fevereiro,
Riad al-Asaad, comandante do Exército Livre Sírio, alegou que "Metade do território do país não estava mais sob controle do regime" e que o acesso as áreas sob a mão do governo não eram mais acessiveis. Ele também afirmou que a moral das tropas de Assad estava baixo. "É por isso que eles estão bombardeando indiscriminadamente, matando homens, mulheres e crianças", disse ele.
[193]
Um prédio em Homs pegando fogo como resultado dos combates entre forças pró e contrárias ao regime.
A onda de protestos rapidamente se espalharam pelo mundo, em especial em frente as embaixadas da Síria pelo mundo. Após a oposição síria ter alertado que mais de 200 pessoas teriam sido mortas em um massacre em Homs em 2 de fevereiro de 2012, sírios exilados e cidadãos comuns de outras nacionalidades protestaram no
Cairo,
cidade do Kuwait e em
Londres.
[194]
[editar]Tentativas de cessar-fogo e novos embates
Em 10 de fevereiro de 2012, foi reportado um ataque contra o prédio da inteligência militar síria em
Alepo, sendo que 28 pessoas morreram no atentado e outras 235 ficaram feridas. O Exército Sírio Livre, através do coronel Arif Hamood, assumiu responsabilidade do ataque ao canal
France 24, dizendo que eles usaram tiros de
morteiro e de
lança-granadas-foguete ao invés de
carros bomba como havia sido reportado no inicio.
[195] Contudo, outro lider da oposição armada, Riad al-Asaad, negou participação destes no ataque e falou em
conspiração feita pelo governo de Assad que teria atacado ele mesmo o prédio para culpar a oposição de assassinato.
[196] Um jornalista holandês do canal
NOS as explicações da oposição para o ataque como improváveis, já que estes já haviam alertado a todos que a inteligência do exército sírio seria alvo de ataques, já que eles seriam alguns dos principais responsáveis pela repressão política no país.
[197]
Em 12 de abril, ambos os lados, o Governo Sírio e os rebeldes armados da Oposição, entraram em um período de cessar-fogo mediado pela ONU.
[198] Apesar dos planos iniciais de por fim as hostilidades em 10 de abril, o Exército Sírio continuou sua ofensiva em cidades controladas por opositores, em uma tentativa de ganhar mais terreno, e acabaram por acatar o armistício apenas no dia 12.
[199] Em 15 de abril, ainda haviam relatos de bombardeios e combates em Homs, e também foram reportados várias mortes por toda a Síria, supostamente em repressões das forças do governo contra membros da oposição, apesar das promessas do fim das hostilidades feitas pelo presidente Bashar al-Assad.
[200] No dia 16, um grupo de observadores internacionais chegau a Síria para checar como estava a situação do país.
[201]
Em 1 de maio,
Hervé Ladsous, Subsecretário-Geral para Operações de Paz das
Nações Unidas, disse que ambos os lados estavam violando o acordo de Cessar-fogo de 12 de abril. O Secretário-Geral da ONU,
Ban Ki-moon, alertou que governo e oposição deveriam cooperar com a proposta de paz.
[202][203]
No dia 19 de maio, em Deir ez-Zor explodiu uma bomba em um atentado suicida mata 9 civis e ferem 100 gravemente. O atentado foi atribuído a Irmandade Muçulmana.
[204]
Em detrimento do acordo de cessar-fogo, os combates no país se intensificaram em maio e no dia 25 deste mês mais de 100 pessoas foram executadas no "
Massacre de Houla", perpetrado durante uma ofensiva militar do governo sírio.
[205] Segundo a ONU, a maior parte das vítimas eram civis que teriam sido sumáriamente executado pelas forças de
Bashar al-Assad.
[206] Estes eventos acabaram por colocar a já tensa paz em risco.
[207] Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, disse que acredita "que menos de 20 dos 108 assassinatos podem ter sido provocados por disparos de artilharia e tanques. A maioria das vítimas foram executadas de forma sumária em dois incidentes diferentes que foram executados, segundo os moradores, por milicianos favoráveis ao regime".
[208] O governo, por sua vez, negou responsabilidade e culpou supostos "terroristas" pelo incidente.
[209] Em 29 de maio, Kofi Annan viajou a Sìria para apelar a ambos os lados e evitar o rompimento total do cessar-fogo.
[210]
Em 30 de maio, o Exército rebelde sírio anunciou que eles estavam dando ao presidente Assad 48 horas para se submeter ao plano de paz internacional e por fim a violência. "O prazo acaba na sexta, as 12h00 (hora local), e ai estamos livres de qualquer comprometimento anterior e voltaremos a proteger e defender os civis, seus vilarejos e suas cidades", disse um porta-voz das forças militares da oposição.
[211]
[editar]Escalada da violência e declarada guerra civil
Tropas do governo lutando contra guerrilheiros da oposição na cidade de Alepo.
Logo após o
massacre em Houla[212][213] e o subsequente ultimato rebelde ao governo sírio, o cessar-fogo praticamente entrou em colapso no fim de maio de 2012, com forças do Exército Livre (ESL) lançando vários ataques contra tropas do governo. Em 1 de junho, o presidente sírio Bashar al-Assad alertou que o país iria "esmagar" a revolta rapidamente, depois que o exército rebelde anunciar que estavam retomando as "operações defensivas".
[214] Assad então voltou a televisão e declarou que a Síria estava em completo "estado de guerra".
[215]
Em 2 de junho, 57 soldados foram mortos na Síria, o maior número de perdas sofridas pelo governo em um dia desde que a revolta eclodiu em meados de março de 2011.
[214] Entre 5 e 13 de junho, o Exército Sírio
combateu e derrotou as milícias anti-governo na cidade de Latakia, onde foram usandos tanques e helicópteros para liquidar as forças opositoras.
[216]
Em 6 de junho de 2012, 78 civis foram mortos no chamado "
massacre de Al-Qubair". De acordo com ativistas de direitos humanos, as forças do governo começaram a bombardear o vilarejo com artilharia pesada antes que as milícias pró-Assad, a
Shabiha, avançasse.
[217] Observadores da ONU tentaram entrar no vilarejo para tentar investigar o que havia ocorrido de fato mas foram impedidos pelo governo e depois foram embora ao perceber que haviam combates pela área com vários sons de diversos tiroteios acontecendo.
[218][219] Enquanto isso, os conflitos avançaram até duas grandes cidades (
Damasco e
Alepo) que o governo alegava estar tranquila em suas mãos e que sua população era formado por partidários que apenas queriam a manutenção da estabilidade. Em ambas as cidades, intensos protestos de carater mais pacífico estavam acontecendo. Logistas da capital entraram então em greve e em Alepo os bairros comerciais também pararam de funcionar mas em escala menor. Isso foi interpretado por especialistas como a indicação de que a histórica aliança nas grandes cidades entre os empresários e o governo tinha finalmente ruido.
[220]
Em 22 de junho, um caça turco
F-4 foi derrubado por forças do governo sírio.
[221] A Síria admitiu ter derrubado o avião, alegando que a aeronave turca voava sobre águas sírias a apenas 1 quilometro da costa quando foi atacado por artilharia anti-aérea perto do vilarejo de Om al-Tuyour.
[222] Em 24 de junho, destroços do jato foram encontrados em águas sírias, mas a tripulação permanecia desaparecida.
[223] O ministro das relações exteriores da Turquia então declarou que o avião de seu país fora derrubado em águas internacionais logo após ter entrado momentaneamente em espaço sírio, durante um voô para testar o novo sistema de radar turco.
[224] O presidente Bashar al-Assad mostrou pesar pela situação e alegou estar "arrependido" pela derrubada do avião.
[225] O governo de Ancara emitiu uma nota oficial dizendo que o ataque não sairia impune e culpou as autoridades em Damasco pela incidente.
[226] Logo depois, a União Europeia aprovou uma nova e mais dura rodada de sanções econômicas contra a Síria.
[226] Em agosto do memso ano, dois meses após o incidente, jornais turcos acusaram o governo local de esconder fatos sobre onde o avião fora derrubado.
[227] Segundo os relatórios, as bases da OTAN em Izmir e no Chipre confirmaram que o avião fora derrubado em espaço aéreo sírio e que sua entrada lá dificilmente teria sido "acidental", como o governo turco havia dito.
[227] O Alto Comando militar da Turquia negou as informações.
[227]Também foi levantada a hipótese por jornais turcos, segundo fontes do gabinete do Procurador-Geral Militar da Turquia, de que o avião teria caido por falha mecânica no motor, mas a idéia foi contestada pelas partes envolvidas.
[228]
No começo de julho de 2012, Manaf Tlass, um general de brigada da Guarda Republicana, desertou o governo, fazendo dele o mais graduado oficial de alta patente do
Exército Sírio a renunciar devido a violência. Diplomatas ocidentais disseram que este foi o golpe mais duro contra Assad e seu círculo interno de ajudantes.
[229] Nawaf al-Fares, o embaixador sírio no Iraque, que já havia anunciado simpatia pelos movimentos opositores ainda em maio de 2011, renunciou ao cargo e declarou fidelidade a oposição ainda em julho de 2012.
[230]
Em meados de julho, os combates se espalharam pelo país de forma mais violenta. Frente a esses relatos, o Comitê da Cruz Vermelha internacional declarou o conflito uma "
guerra civil".
[109] A
luta em Damasco, capital do país, se intensificou devido a uma grande ofensiva rebelde que pretendia dominar a cidade.
[231]
Em 18 de julho, o ministro da defesa sírio,
Dawoud Rajha, e o cunhado do presidente, o General
Assef Shawkat, foram mortos em um atentado a bomba na capital.
[232][233][234] O chefe da inteligência do governo,
Hisham Bekhityar, também foi ferido na mesma explosão. Tanto o Exército Livre da Síria e o grupo
Liwa al-Islam assumiram responsabilidade pelos ataques.
[235] Já o ministro do interior,
Mohammad Ibrahim al-Shaar, também foi ferido no atentado mas seu estado médico não foi confirmado.
[236][237] Esses ataques foram os primeiros que conseguiram assassinar altos membros do governo de Assad em 17 meses de revolta.
[238] Em 19 de julho, a cidade de
Alepo foi palco
de intensos combates entre forças do governo e da oposição, com ambos os lados lutando ferozmente para garantir o controle desta que é o maior centro comercial do país.
[239]
Com a recente escalada na violência, em 19 de julho, o Conselho de Segurança da ONU, precinado por Estados Unidos e União Européia, votaram uma resolução contra o Regime de Bashar Al-Assad. Contudo, como era esperado, Rússia e China vetaram a resolução e qualquer subsequênte sanção contra o governo sírio, evidênciando ainda mais a divisão da comunidade internacional sobre o conflito.
[240] Russos e chineses, que são os principais aliados da Síria, justificaram o veto alegando que querem ver uma resolução mais igual e que forçe ambos os lados a parar com a violência.
[241] No mesmo dia, oficiais do governo iraquiano anunciou que o Exército Livre da Síria haviam tomado o controle de todos os quatro postos de fronteira entre a Sìria e o Iraque, aumentando a preocupação do governo local com seus cidadãos na região fugindo do conflito no país vizinho.
[242] Nesse mesmo dia, por quase 40 minutos, todas as fronteiras da Síria foram fechadas.
[243] No dia 21, foi relatado que cerca de 150 combatentes islâmicos supostamente procedentes de vários países árabes, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Tunísia, armados com fuzis de assalto AK-47, lança-foguetes e bombas artesanais, ocuparam um posto de fronteira localizado entre a Síria e Turquia, constatou um fotógrafo da
Agence France-Presse (AFP) na região. O governo culpou extremista da Al-Qaeda pelo incidente e relatou a presença de combatentes estrangeiros no país, o que foi negado pela oposição.
[244] Dois dias depois, a Tv Estatal síria mostrou imagens de cadáveres sendo supostamente de egípcios e jordanianos, e anteriormente tinha sido de supostos líbios e tunísianos.
[245]
Mapa da revolta na Síria por cidades até 15 de março.
[246]
Em 25 de julho, várias fontes denúnciaram o uso de armamento pesado e até aeronaves de combate pelas forças de Assad contra áreas controladas por opositores armados em
Alepo e
Damasco, resultando em muitas mortes.
[247] No começo de agosto, tropas sírias teriam expulsado os combatentes do Exército Livre do distrito de Salaheddin, em Aleppo, e aumentaram a intensidade das ofensivas na parte noroeste da cidade de Idlib. A televisão estatal então reportou que soldados do governo haviam frustrado ataques de rebeldes armados contra o aeroporto e uma prisão localizada no centro de Aleppo.
[248] Em 29 de julho, a agência estatal SANA reportou que o governo estava no controle do distrito de Hajar al-Aswad, na capital do país. No mesmo dia, Assad declarou vitória e afirmou que suas tropas controlavam inteiramente a capital, apesar de na periferia, combates esporádicos ainda podiam ser ouvidos.
[249][250][251] Em Aleppo, os combates continuavam com as forças do exército sírio lançando vários contra-ataques encima dos rebeldes armados da oposição.
[252]
Em 7 de agosto, vários residentes e trabalhadores de Yandar, uma área próxima a cidade de Homs, foram massacrados. O jornal SANA, aliada ao governo de Damasco, acusou o Exército Livre sírio pelo massacre, o que foi negado pela oposição. O número de mortos ainda é incerto. No dia seguinte, em Aleppo, rebeldes atacaram um importante centro da polícia na cidade mas foram repelidos por militares leais a al-Assad.
[253]
Soldados da oposição combatendo em Idlib, 2012.
Em 25 de agosto, na cidade de
Darayya, cerca de 400 pessoas foram mortas em um suposto ataque das forças do governo sírio.
[254][255] A milícia Shabiha, leal ao presidente Bashar al-Assad, foi a principal acusada de ter cometido os assassinatos.
[256] Alguns civis, contudo, acusaram as forças do Exército Livre da Síria de algumas das mortes.
[257] Desde a intensificação do conflito para uma guerra civil e do aumento das ofensivas militares da oposição, as forças rebeldes foram acusadas de perpetrarem abusos contra civis simpatizantes do governo e soldados que se renderam.
[257] Em Damasco, valas comuns contendo pelo menos 270 corpos foram encontrados na periferia da cidade.
[258] Mais uma vez, as milícias Shabihas foram acusadas de serem os autores do massacre.
[258] Em meados de setembro, um parente do presidente Assad, que era um oficial da
Força Aérea Síria, anunciou que havia mudado de lado para a oposição.
[259] Esta foi a primeira deserção de um parente de al-Assad durante o conflito.
[259]
Em 18 de setembro, forças rebeldes reportaram que estavam no controle de toda a região de
Ar-Raqqah, na fronteira entre a Síria e a Turquia. Junto com outros postos de controle em poder da oposição com aquele país e também na fronteira com o Iraque, os rebeldes conquistaram uma importante vitória estratégica e logistica, permitindo com mais facilidade a entrada de suprimentos ao país.
[260]
Em 3 de outubro de 2012, tiros de artilharia pesada vindos da
Síria atingiram a cidade de
Akçakale na Turquia e cinco cidadãos daquele país foram mortos.
[261] Em responsta, a Turquia bombardeou alvos militares em território sírio, marcando a primeira intervenção estrangeira direta no conflito.
[262] O governo turco recorreu a
OTAN, que por sua vez condenou a morte de civis no suposto ataque Sírio ao país vizinho.
[263] Eles também pediram que o governo sírio cesse todas as operações militares agressivas contra seus vizinhos e contra a população.
[263] Esta foi a ação militar mais violenta na fronteira durante toda a guerra civil e a primeira a provocar uma resposta letal estrangeira.
[264] O regime sírio, por sua vez, respondeu que está investigando o incidente e expressou condolências as vítimas.
[265] Nesse mesmo dia, foi registrado vários
ataques suicidas em Alepo, onde
uma batalha decisiva se desenrola, provocando dezenas de mortes e deixando mais de uma centena de civis feridos.
[266] O grupo Jebhat al-Nusra, ligado a Al Qaeda, assumiu a autoria dos ataques.
[266]
Em 10 de outubro, forças rebeldes assumiram o controle de Maarat al-Numan, um local estratégico em
Idlib, que contém estradas importantes que fazem ligação entre as cidades de Damasco e Alepo.
[267] Esta vitória veio acompanhado da notícia de que o governo sírio iniciou sua maior ofensiva militar para tomar por completo a cidade de Homs, um dos principais redutos da oposição.
[268]
[editar]Reações internacionais
Em 23 de janeiro de 2012, a Síria anunciou que rejeitava proposta da Liga Árabe para que al-Assad se afaste do cargo e que seja criado um governo de unidade nacional dentro de dois meses.
[269] No dia seguinte, um ministro sírio chama o relatório referente ao documento emitido, no qual a Liga Árabe pediu a renúncia do presidente Bashar al-Assad, de "conspiração".
[270] No relatório, feito entre 24 de dezembro de 2011 a 18 de janeiro de 2012 foi reportado que "não há nenhum tipo de repressão letal organizada pelo governo sírio contra manifestantes pacíficos". Em vez disso, o relatório denuncia as muitas gangues armadas como responsáveis pela morte de centenas de civis e de mais de mil soldados do exército sírio, em atentados organizados e letais (explosões de ônibus de transporte de civis, ataques a bomba contra trens carregados de óleo diesel, ataques a bomba contra ônibus de transporte de policiais e ataques a bomba contra pontes e oleodutos).
[271][272] Esta conclusão foi amplamente criticada dentro e fora do mundo árabe. O Conselho Nacional sírio considerou o relatório sobre o trabalho dos observadores como "um passo atrás nos esforços da Liga e não reflete a realidade vista pelos observadores no terreno".
[273] Segundo o governo sírio, os ataques no país são cometidos por terroristas.
[274][275][276][277] Porém, observadores internacionais e analistas voltaram a denunciar a matança indescriminada de civis por parte das forças do governo.
[278]
15 de fevereiro de 2012, em
Homs, um duto de alimentação de uma refinaria nos arredores de
Baba Amr é destruído.
A
Liga Árabe,
[279] a
União Européia,
[280] as
Nações Unidas[281] e vários governos ocidentais condenaram a violência no país e a repressão do regime sírio, apoiando o direito de liberdade de expressão do povo.
[282][283] Vários governos ocidentais, em especial os
Estados Unidos e membros da
União Européia, impuseram pesadas sanções economicas unilaterais contra a Síria em um esforço para enfraquecer o governo de Damasco.
[284][285][286] O efeito deste embargo financeiro das potências é inconclusivo, com países como Irã doando bilhões dólares ao governo sírio.
[287][288] China e Rússia também demonstraram apoio financeiro ao governo de Bashar al-Assad e se posicionam oficialmente contra qualquer tipo de imposição de sanções internacionais ao país.
[289] A Rússia, que tem uma base naval militar na Síria, condenou o uso de violência pela oposição e falou que há "terroristas" entre os manifestantes.
[290]
Um dos principais apoios a Síria veio da Rússia. Segundo Mikhail Bogdanov, vice-ministro das Relações Exteriores, "o país, em contraste com os nossos parceiros ocidentais e árabes não vamos impor quaisquer sanções unilaterais, o que pode afetar adversamente a situação social e humanitária na Síria". "Nós não vamos estar envolvidos, no entanto, vamos continuar a desenvolver os laços econômicos com a Síria, incluindo no domínio do fornecimento de petróleo e outras necessidades essenciais", completou Bogdanov. Logo em seguida foi denunciado que o Catar e os britânicos teriam forças especiais na Síria, segundo o jornal
DEBKA. Os governos destes países negaram a informação.
[291][292][293][294][295][296] O porta voz do Ministério das Relações Exteriores russo,
Alexander Lukashevich, contestou as informações que são obtidas pelo Observatório sírio de Direitos Humanos" e classificou as informações como "não confiáveis" e "tendênciosas".
[297]
Em 29 de fevereiro de 2012, a agência estatal de notícias síria (SANA), informou que um reporter do
Telegraph entrevistou um suposto funcionário do
Exército Livre Sírio alegando ter recebido armas a partir de fontes norte-americanas e francesas mostrado em um vídeo.
[298] Nenhuma fonte independente confirmou a informação e os rebeldes não comentaram.
[299] A presença de jornalistas estrangeiros na Síria é proibida pelo governo, assim como a de observadores externos.
[300]
Também em apoio ao governo sírio, a China acusou os países ocidentais de instigarem uma
guerra civil na Síria. Pouco depois, dois navios de guerra
iranianos aportaram na base naval de
Tartuspara uma missão de "formação" da marinha síria, mas eles posteriormente retornaram ao seu país de origem sem completar sua missão, de acordo com a cadeia de televisão iraniana
Irinn, país aliado ao regime de Assad.
[301][302][303]
[editar]Envolvimento estrangeiro
[editar]Apoio a oposição
Um tanque do
exército sírio destruido em combate pelos rebeldes anti-governo em Alepo.
O conflito sírio é interpretado como parte de uma guerra de proximidade entre Estados sunitas, como a Arábia Saudita, Turquia e Catar, apoiando a oposição de maioria sunita, e outros países como Irã e o movimento Hezbolla no Líbano, que apoiam o governo alauita sírio.
[304][305]
O governo da
Turquia é o que fornece maior apoio direto aos dissidentes sírios, sendo que boa parte dos mais de 250 mil refugiados gerados pelo conflito encontraram refúgio no território turco.
[306] Muitos opositores sírios usaram a cidade de Istambul como centro para comandar a luta pela mudança de regimo no seu país,
[307] e a Turquia também refugiou o lider do Exército Livre da Síria, o coronel Riad al-Asaad.
[308][309] O governo turco, durante o conflito, aumentou sistemáticamente a hostilidade contra o governo de Assad. Em maio de 2012, combatentes da oposição começaram a ser treinados pela Agência de Inteligência Turca.
[310]
Alguns países cortaram relações com o governo de Bashar al-Assad logo no começo das hostilidades, como os Estados do Golfo, a Líbia, Tunísia, Reino Unido, Espanha, Turquia, Estados Unidos e Bélgica.
[311][312] Canadá parou de emitir passaportes para a Síria mas manteve sua embaixada em Damasco.
[313] Em 1 de novembro de 2011, a
OTAN disse que não tinha intenções de intervir militarmente na Síria, logo após uma longa
campanha de 7 meses na Líbia.
[314] Em julho de 2012, os Estados Unidos concederam créditos e fundos para um grupo chamado "Syrian Support Group", dando-lhes liberdade para financiar a oposição armada síria.
[315] Outro apoio crucial veio da Arábia Saudita e do Catar que anunciaram estar abertamente armando e financiando a oposição.
[316][317][318]
De acordo com um homem ligado a Bashar al-Assad em uma entrevista uma agêngia de noticias
Anna da Abcásia, antigos membro do
Exército de Libertação do Kosovo estão lutando na Síria ao lado dos opositores. Ele disse que o
Exército Sírio de Assad matou 400 rebeldes no país, incluindo kosovos.
[319] Grupos terroristas como
Al-Qaeda também contribuiem para a luta em nome da oposição armada. Oficiais americanos acreditam que membros da Al-Qaeda no Iraque tem conduzido ataques a bomba contra alvos do governo sírio,
[320] e que o líder da organização,
Ayman al-Zawahiri, condenou o governo de Assad.
[321]
Em agosto de 2012, a missão da ONU na Síria constatou que os rebeldes combatiam o governo com tanques e armas pesadas em Alepo, considerada a batalha decisiva.
[322][323] Turquia e os Estados Unidos supostamente estudaram estabelecer zonas de exclusão aérea na Síria, com o objetivo de ajudar os grupos rebeldes sírios em áreas que estes alegavam está em seu controle.
[324] A rede de televisão árabe Al Jazeera foi acusada de contrabandear equipamentos de comunicação no valor de US$50 mil dólares, em especial telefones via satélite, para os grupos opositores. A agência de noticias negou a acusação.
[325]
[editar]Apoio ao governo Assad
Em janeiro de 2012, a
Human Rights Watch criticou a Rússia, principal apoiadora de Bashar al-Assad, por "repetir os mesmos erros dos países ocidentais" ao apoiar "disfarçadamente" o lado que simpatiza.
[326] A
Anistia Internacional, notando que o governo sírio utiliza armas pesadas e até aeronaves de combate para atacar opositores, criticou os russos por ter "um desleixo arbitrário pela humanidade."
[327] Novamente, a Human Rights Watch alertou que a companhia russa de armas, a
Rosoboronexport, "enviar armas a Síria enquanto crimes de guerra são cometidos pode ser interpretado como cumplicismo destes crimes", e convocou empresas internacionais a cortar relações com empresas russas envolvidas com o conflito.
[328][329] Pouco tempo depois, contudo, os Estados Unidos compraram alguns helicópteros
Mi-17 da Rosoboronexport pelo valor de milhões de dólares.
[330] Um dos principais interesses da Rússia no conflito é a manutenção da base naval no porto de Tartus, que Moscou considera essencial para a manutenção da influência do país no mediterrâneo.
[331][332]
O líder supremo do Irã,
Ali Khamenei, abertamente anunciou apoio ao governo sírio.
[333] O jornal britânico
The Guardian reportou que o governo irâniano apoiou Assad com equipamentos e informações.
[334] O
The Economist disse que o Irã, em fevereiro de 2012, enviou a Síria US$9 bilhões de dólares para ajudar o país a suportar o impacto da sanções econômicas do ocidente.
[287]O país também enviou combustivel a Síria e mandou dois navios de guerra para a região para demonstrar apoio militar ao regime de al-Assad.
[335]
O presidente americano,
Barack Obama, e o embaixador dos Estados Unidos na ONU,
Susan Rice, acusaram o Irã de secretamente apoiar Assad militarmente em sua busca para esmagar os protestos e também houve relatos de combatentes iranianos lutando na Síria.
[336][337] O controle da cidade de
Zabadani provou-se vital para Assad e para o Irã, ao menos em junho de 2011, já que a cidade servia como centro de apoio de logistica do
Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica ao Hezballah.
[338] De acordo com oficiais da ONU, o governo iraniano vendeu quantidades significativas de armas a Síria antes do conflito, em violação as restrições de exportações de armas da República Islâmica a outras nações.
De acordo com informações vindas do Irã, o grupo
Hezbollah, dito como terrorista pelos governos ocidentais, apoia militarmente a luta do governo Assad contra opositores em Damasco e em Zabadani.
[339]
Em 31 de agosto de 2012, o auto-proclamado "
Movimento dos Países Não Alinhados" declarou que rechaça a idéia de uma intervenção armada estrangeira no país e alguns países, como Equador e Irã, voltaram a declarar seu apoiou a posição do governo de al-Assad.
[340] Eles também pediram o fim da violência e a retomada das negociações de paz.
[340]
[editar]Propostas de paz
Várias iniciativas de paz e planos para resolver a crise na Síria foram apresentadas, sem muito sucesso. Entre algumas das principais tentativas de negociação, foi a proposta da Liga Árabe lançada em dezembro de 2011 que foi considerada um fracasso. A Rússia também tentou propor uma saída mas não conseguiu nada.
No começo de 2012, a iniciativa "Amigos da Síria" foi estabelecida, que resultou numa conferência multi-nacional na Tunísia. Também houve várias reuniões na Turquia em abril. Nesta inciativa a Rússia, China e o Irã não participaram por considerá-la unilateral e a favor da oposição, chamada de "inimigos da Síria" pelo regime de Assad.
[341][342] Em fevereiro, Kofi Annan, ex-Secretário Geral da ONU, propos um novo plano de paz.
[343] Este plano foi chamado de o mais promissor para resolver o conflito, cujo a prioridade da iniciativa era um cessar-fogo imediato e bilateral em abril de 2012. O regime sírio anunciou que aceitava a proposta e que faria seu exército recuar, porém os militares do governo reiniciaram a ofensiva e não demonstraram sinais de que retrocederiam em seu avanço.
[344] A oposição síria, a ONU, ativistas de direitos humanos e governos ocidentais denunciaram que Bashar al-Assad, o presidente sírio, desrespeitou o plano de paz que ele próprio havia aceitado semanas antes e desobedeceu o cessar-fogo declarado por ele mesmo, no prazo estabelicido pela ONU, ao retomar os ataques à áreas controladas pela oposição, em abril de 2012.
[345][346] Por sua vez o governo sírio exigiu "garantias por escrito" da oposição para retirar as tropas e após o prazo estabelecido acusou a oposição de violar o acordo com "ataques terroristas", apesar do emissário Kofi Annan concluir que o fim das hostilidades aparentava estar sendo respeitado.
[347][348][349] Segundo
Ban Ki-moon, atual Secretário Geral da ONU, uma "frágil paz" cobriu a Síria.
[350] No dia 12 de abril, dois dias após o prazo final para imposição do cessar-fogo, um civil e um soldado morreram na cidade de Hama, durante uma nova ofensiva do governo.
[350]
Em 15 de agosto de 2012, Kofi Annan foi dispensado do cargo de mediador da ONU para a questão síria.
[351] Dois dias depois, o posto foi dado ao diplomata argelino
Lakhdar Brahimi.
[352]