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Redação Dissertativa
POLEGAR OU INDICADOR
Fonte: Folha.com, Luiz Caversan
O futuro já chegou, e a dúvida agora é uma só: indicador ou polegar?
Como vou falar com o mundo, todo o mundo: com o indicador, o dedo mais
exigido pelo manuseio do cobiçado Iphone ou similares touchscreen? Ou com o
polegar, "ferramenta" indispensável para o pessoal mais pragmático do
BlackBerry e congêneres?
Porque não existe outra maneira de fazer parte dessa imensa e
sensacional comunidade, dessa nossa aldeia globalizada em que todos falam ou
podem falar com todos o tempo todo, senão por intermédio dos instrumentos
móveis de comunicação dos quais Iphones e BlackBerrys são, por enquanto, as
expressões máximas.
Olhe agora para o seu lado e você muito provavelmente verá alguém
teclando. Na fila, na rua, no bar, na escola, no trabalho, na cozinha, no
metrô, na balada, na cama, até em velório vi outro dia um cara de olhos vermelhos
ali, tec tec, certamente dando uma má notícia...
Ok, os laptops e os net books também (ainda?) cumprem satisfatoriamente
essa função. Mas, o smartphone como prolongamento da mão, da mente e da fala é
um caminho sem volta.
Então, que esse caminho seja o mais suave possível, que nossas vidas se
enriqueçam e cada vez nos libertemos mais nesse mundo sem fronteiras, e não, ao
contrário, nos escravizemos criando/fantasiando/inventando novas necessidades
desnecessárias, banalizando e/ou tornando supérflua aquela que é a mais
revolucionária forma de comunicação pessoal da história.
Você que está navegando no seu aparelhinho agora, veja aqui, nesta nova
Folha.com, por exemplo, a imensidão de possibilidades que a tecnologia coloca
literalmente na sua mão, e aproveite: viaje, conheça, saiba, conclua, duvide,
interfira, opine, entre, saia, volte a entrar.
Quando me tornei jornalista, 33 anos atrás, as palavras surgiam do
chumbo derretido e eram praticamente carimbadas no papel.
Agora, elas fluem exatamente como o pensamento que as gerou.
Muita coisa incrível aconteceu de lá para cá, mas nunca vi tamanha
revolução tecnológica em curso, acontecendo agora, na minha frente (na minha
mão...). E é fascinante fazer parte dela, seja por meio dos textos que aqui
aparecem, seja pela incrível convivência socio-antropológica proporcionada pelo
Facebook, seja pelo cri-cri do Twitter, pelo "velho e bom" e-mail,
seja pelo Ipad que para mim ainda não chegou, mas já já está por aqui, seja por
conta da mais nova e fantástica possibilidade tecnológica que vai pintar logo
logo.
Vamos lá, escolha um dedo e fale com sua aldeia — que é virtual,
planetária e absolutamente real — ou cale-se para sempre.
Fim
FIM AO ESCÁRNIO TRIBUTÁRIO
Fonte:
Gazeta do Povo, Marco Túlio Kalil Ferreyro e Fernando Bertuol
No curso da história
econômica do país, o crescimento da carga tributária foi assustador,
principalmente considerando-se o fato de o Brasil ser um país ainda em estágio
de desenvolvimento. Em 1947, com o registro sistemático das contas nacionais do
país, a carga era de 13,8% do PIB. Em 1965, com a chamada Reforma de Campos e
Bulhões, que introduziu a tributação via valor adicionado (ICMS), passa para
19% do PIB e em 1970, com a consolidação dessa mesma reforma, pula para 25% do
PIB, mantendo-se nesse patamar até 1993. Já em 1994, a partir do advento do
Plano Real – estabilização monetária e necessidade de ajuste fiscal –, passa
para 29,7% do PIB e, desde então, vem aumentando gradativamente ano a ano,
atingindo a 35% em 2009, segundo dados divulgados pelo governo federal.
Todavia, o que é absolutamente nefasto é o fato de o crescimento da carga
tributária ter se dado na contramão da capacidade do país em produzir riquezas.
De 1995 até 2008 a carga tributária aumentou em 42,64%. No mesmo período, o PIB
per capita cresceu em termos reais apenas 26,05%.
Cremos que para mudar
essa realidade não há outro caminho senão através da racionalização/redução do
gasto público e diminuição do tamanho do Estado na economia. Juros elevados e
elevada carga de impostos desestimulam novos investimentos, retraem a economia,
impedindo a geração de emprego e renda. Se ao menos os governos retornassem
parte do esforço fiscal que impõem à sociedade contribuinte em investimentos na
educação, saúde e segurança, poderíamos oferecer uma boa perspectiva às futuras
gerações.
Sabidamente, os governos
tendem a cobrir o rombo de suas contas com o simples aumento de tributos. Ora,
porque pensaria a administração pública em nível federal, por exemplo, em
atacar os verdadeiros problemas estruturais que impedem um ajuste fiscal
permanente, já que tal atitude implicaria mudanças, principalmente no que se
refere ao funcionalismo, à baixíssima eficiência dos serviços prestados, na
quebra de corporativismos públicos evidentes e malévolos? Vale lembrar um
célebre ensinamento de Maquiavel, em O Príncipe, sobre as dificuldades e
perigos da instituição de uma nova ordem de coisas e que ainda vigora com plena
força. Isso porque os beneficiários da ordem antiga lutarão bravamente para
mantê-la e os que se beneficiarão da nova ordem irão defendê-la tibiamente
porque não tem certeza dos seus benefícios. Tal situação explica, em parte, as
dificuldades quase intransponíveis de se implementar uma profunda, completa e
indelevelmente necessária, reforma fiscal.
Diante desse doloroso
escárnio tributário, que tem sido preconizado pelos governos nas suas
diferentes esferas, talvez seja realmente a hora de a sociedade contribuinte
promover uma verdadeira “insurreição antitributária”. Os consumidores não estão
mais propensos a aceitar candidamente essa retórica governamental de fazer
ajuste pelo lado da receita e somente prometer, mas nunca cumprir, o ajuste
pelo lado da despesa pública, situação nefasta que apenas pereniza a inércia do
Estado naquilo que ele deveria efetivamente atacar: seu gigantismo, seu
corporativismo e sua ineficiência que demarcam uma máquina governamental
pesadíssima, autofágica, ineficiente e perdulária. Chega de tanto imposto! Cada
vez mais, os governos abocanham o bolso do cidadão, das famílias contribuintes
e o caixa das empresas. Decididamente, o governo não cabe dentro do PIB.
Enquanto que nos últimos cinco anos o PIB do país cresceu 28%, somente as
despesas com pessoal e encargos sociais aumentaram 39%. O mais perverso, no
entanto, é que, além de gastar muito, o governo gasta muito mal, não há
qualidade no gasto público. Basta ver os péssimos serviços prestados pelo
Estado em contrapartida aos impostos nas áreas da saúde, segurança, educação e
justiça. Se considerarmos o que gastamos com planos de saúde, educação em
escolas privadas e segurança privada, a carga de impostos que recai sobre a
sociedade contribuinte salta para algo próximo a 70%! Um verdadeiro assalto.
Fim
COPA DO MUNDO E RENDA BÁSICA DE CIDADANIA
Fonte: O
Estado de S. Paulo, Philippe Van Parijs
Aos olhos do mundo, o
Brasil tem ido muito bem nos últimos anos. Uma das áreas que atraíram a atenção
foi sua luta contra a pobreza. Em parte, pelo que já alcançou com o
Bolsa-Família. E, em parte, por causa da perspectiva ambiciosa que o governo
brasileiro deu a todos os programas sociais quando, em janeiro de 2004, o
presidente Lula sancionou uma lei que estabeleceu o objetivo de uma Renda
Básica de Cidadania para todos os brasileiros.
Em todo o mundo, esse
arrojado passo veio como uma surpresa. Quando o debate internacional sobre o
ideal de uma renda básica universal se desencadeou, nos anos 80, era óbvio que
essa era uma ideia restrita aos países mais ricos. Muitos desses países haviam
introduzido programas de renda mínima, pelos quais chefes de família pobres têm
o direito a um benefício porque são registrados como desempregados ou porque
sua renda declarada é menor que certo patamar. Mas, desde que achem um emprego,
o benefício é cancelado ou reduzido: o esforço é punido com a retirada do
benefício. Daí o desenvolvimento da "armadilha do desemprego" em que
pessoas tendem a cair.
Na Europa Ocidental, na
América do Norte, mais tarde no Japão e na Coreia, acadêmicos e ativistas
começaram a propor que esses benefícios focalizados não fossem cancelados, mas
universalizados na forma de uma Renda Básica de Cidadania paga a todas as
pessoas. Se todos receberem o benefício, não apenas os pobres, estes não
estarão mais presos numa armadilha da pobreza. Também não haverá nenhum
estigma, porque os ricos e os pobres o receberão. Não é o objetivo dessa
universalização fazer os ricos ainda mais ricos, pois o sistema de Imposto de
Renda deveria ser ajustado para que os ricos financiem seus benefícios."
Tudo isso faz muito
sentido, parece, nos países mais ricos que já experimentaram sistemas
focalizados de transferências e descobriram seus efeitos perversos, mas não em
países com um incipiente Estado de bem-estar. Entretanto, logo se ouviram vozes
no Brasil, na África do Sul, no México, na Argentina e noutros países afirmando
o contrário. Os que acreditavam que uma Renda Básica de Cidadania se espalharia
primeiro nos países mais ricos, dizem, estão tão errados quanto Karl Marx,
quando ele afirmou que uma revolução socialista poderia ocorrer somente num
país altamente industrializado. Por quê? A razão fundamental é que os sistemas
de benefícios dependentes da renda das pessoas são particularmente difíceis de
administrar quando uma alta proporção da população vive um pouco acima da linha
da pobreza e trabalha na informalidade.
Compreendi este ponto
quando o senador Eduardo Suplicy me levou para visitar uma repartição em São
Paulo na qual os administradores públicos verificavam se as pessoas que se
inscreviam no Programa Bolsa-Família se qualificavam para receber o benefício.
Um homem com os óculos quebrados tinha de se lembrar quanto ganhou no ano
passado, ora trabalhando, ora não, num posto de gasolina e quanto sua esposa
havia ganho como arrumadeira de diversas casas e esporadicamente ao vender
mercadorias na feira local. Para muitas pessoas vivendo em dificuldades é
compreensivelmente difícil lembrar essas coisas com grande precisão. O risco de
haver arbitrariedade, injustiça, clientelismo e corrupção está em toda esquina.
A única solução
estrutural, com uma economia em grande parte informal, consiste em fazer o
sistema de benefícios universal, financiá-lo com recursos públicos e que não
use a renda pessoal como a base da taxação.
O Programa Bolsa-Família
é um esquema baseado na renda familiar por pessoa. Como é dependente da renda,
é vulnerável por todos os argumentos mencionados, mas representa um progresso.
Esses obstáculos fazem com que possamos olhar para além do Bolsa-Família em
direção à Renda Básica de Cidadania.
Para caminhar em direção
a esse destino é necessário fazê-lo gradualmente com uma reforma tributária.
Pode ser combinado com a obrigação da frequência à escola, na medida em que
essa obrigação realmente venha a prover um benefício adicional de educação,
para quem de outra forma ficaria sem ela, em vez de se retirar a segurança de
renda das famílias mais frágeis. Qualquer condição imposta além do requisito da
renda precisa ser avaliada em termos de quais desses dois tipos de efeitos vão
prevalecer. Por exemplo, quanto mais exigente for a condicionalidade em termos
do desempenho educacional, o mais provável é que as famílias em pior situação
sejam penalizadas.
É desnecessário dizer
que a Renda Básica de Cidadania, assim como o Programa Bolsa-Família, não são
panaceias. Eles precisam ser parte de uma política social mais ampla, que
também abranja o acesso universal à água e à energia elétrica, a um nível
decente de educação básica e aos cuidados com a saúde para todos. Mas a Renda
Básica de Cidadania é parte central de qualquer conjunto de políticas que podem
ser seriamente colocadas para combinar os objetivos de "fome zero" e
de "emprego para todos" em circunstâncias contemporâneas.
A experiência brasileira
é notável, mas ainda está longe de chegar ao fim da estrada. Será comparada com
as experiências de outros países e submetida a um escrutínio simpático, porém
crítico, de um grande número de acadêmicos de muitos países por ocasião do 13.º
Congresso Internacional da Basic Income Earth Network (Bien), ou Rede Mundial
da Renda Básica, que se realizará na Universidade de São Paulo em 30 de junho,
1.º e 2 de julho próximos (ver www.bien2010brasil.com).
Pode o Brasil mostrar o
caminho a outros países indo ainda mais longe do que o fez em direção a uma
genuína Renda Básica de Cidadania? Sem dúvida, será mais difícil do que vencer
a Copa do Mundo mais uma vez. Mas para muitas pessoas nesse país e em todo o
mundo é muito mais importante.
Fim
A NOVA PROMESSA CHINESA
Fonte: O
Estado de S. Paulo
A maior potência
exportadora, a China, terror dos concorrentes em quase todos os mercados, vai
adotar uma política de câmbio mais flexível, anunciou no fim de semana seu
banco central. As potências ocidentais há muito tempo acusam o governo de
Pequim de manter o yuan desvalorizado para baratear as exportações chinesas.
Segundo a avaliação quase unânime, essa é uma política desleal e incompatível
com as boas práticas da competição. Congressistas americanos ameaçam impor
barreiras a produtos chineses, se a distorção cambial for mantida. Dirigentes
do FMI e do Banco Mundial participam do coro a favor da mudança cambial. A
promessa chinesa, desta vez, surgiu uma semana antes de uma reunião do G-20,
formado pelas maiores economias desenvolvidas e emergentes. Diante da
perspectiva de pressões mais fortes, Pequim se antecipou e tentou apresentar um
discurso tranquilizador.
A maioria dos governos
cobra das autoridades chinesas duas mudanças. Como primeiro passo, o banco
central da China deve descolar o yuan da moeda americana. Depois, deve permitir
uma valorização suficiente para eliminar a vantagem competitiva
"artificial". Este segundo passo é o mais importante. Mas o outro é
significativo porque a moeda chinesa acompanhou o dólar durante 23 meses, desde
o agravamento da crise nos EUA. Foi o recurso usado pelas autoridades de Pequim
para neutralizar a depreciação da moeda americana.
Esse expediente foi uma
forma óbvia de manter o yuan desvalorizado e autoridades de quase todo o mundo
reclamaram do truque. Segundo o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, o
problema real era a desvalorização do dólar, porque a moeda chinesa apenas
acompanhava a americana. Ele fez esse comentário em pelo menos duas ocasiões ?
em abril, em Washington, e depois em Xangai, no dia 2 de junho. "Os
Estados Unidos estão mantendo o dólar fraco para ajudar seu setor de exportação
e a China não quer ser menos competitiva", disse Mantega. "O
Brasil", acrescentou, "foi a maior vítima do dólar fraco."
Ele parece haver
esquecido de apenas dois detalhes: 1) o yuan já era subvalorizado antes da
crise de 2008; 2) a China já tomava e continuou tomando mercados do Brasil na
América Latina e também nos EUA e isso se explica em boa parte por sua política
de câmbio.
O governo chinês já
havia prometido um câmbio mais flexível. Nos últimos cinco anos, essa promessa
nunca resultou numa valorização significativa do yuan. A moeda chinesa nunca
deixou de ser, durante esse período, um importante fator de competitividade.
Os governos do mundo
rico mantiveram a pressão sobre Pequim durante esse tempo, mas com êxito quase
nulo. As conferências do G-20, instituídas em novembro de 2008, nunca foram um
bom cenário para esse jogo. Em todas as declarações, sempre se destacou a
importância de maior equilíbrio nas trocas internacionais, mas nunca houve, nem
poderia haver, referência explícita ao yuan.
Referências desse tipo
continuaram ocorrendo nos encontros do G-7, composto pelas maiores economias
capitalistas. A pressão poderia ser um pouco mais aberta na próxima conferência
do G-20, no fim desta semana. Nessa fase de saída da crise, qualquer esforço
para reduzir os desequilíbrios do comércio mundial ganha uma importância
extraordinária.
Mas o banco central da
China tentou limitar as expectativas causadas pelo comunicado de sábado. A
política será alterada, mas o yuan será mantido "basicamente estável e em
nível razoável e equilibrado", segundo novo informe divulgado no domingo.
A mensagem é provavelmente a seguinte: o câmbio será mais flexível, mas a
valorização, se ocorrer, será lenta e gradual e ninguém deve cobrar mais do que
isso. Autoridades da zona do euro receberam a promessa, apesar de tudo, com
otimismo e palavras encorajadoras ao governo chinês. Segundo o presidente do
Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, a China mostra boa disposição,
"mas é preciso aguardar os próximos desdobramentos". Pelo menos ele,
em Brasília, não se limita a jogar a culpa nos americanos.
Fim
MEDO DE INADIMPLÊNCIA NOS CARTÕES DE CRÉDITO TEM BASE
Fonte: O
Estado de S. Paulo
Os bancos brasileiros
começam a se preocupar com o uso de cartões de crédito pela nova classe média,
considerando que um afrouxamento do crescimento pode desencadear uma onda de
inadimplência. A preocupação é largamente justificada, porém as instituições
financeiras deveriam reconhecer que, em grande parte, são responsáveis por essa
eventualidade.
Durante muito tempo os
bancos procuraram difundir o uso de cartões de crédito levando em conta que os
ganhos que auferiam das empresas comerciais que aceitavam o pagamento com
cartão permitiam assumir o risco da inadimplência dos portadores de cartão. A
oferta foi realizada sem levar em conta a capacidade financeira dos clientes, e
nem todos tinham conta no banco emissor do cartão. Felizmente, houve um acordo
entre os bancos para que emitissem cartão só quando fossem realmente pedidos.
No entanto, com o
alargamento das classes C e D, os bancos foram solicitados a emitir novos
cartões sem verificar a capacidade financeira dos seus titulares. E mais:
utilizaram não apenas o atrativo do "pagamento mínimo", como
inventaram o crédito rotativo para estimular os titulares dos cartões a
recorrer a empréstimos vinculados aos cartões, chegando, em caso de atrasos, a
cobrar juros de 238,30%, taxa muito maior do que a do cheque especial
(181,30%), que já era muito elevada diante do crédito pessoal, com taxa de
42,9%.
E não esqueçamos de que
esse aumento da emissão de cartões de crédito ocorreu quando o crédito
consignado se ampliava e que a política de casa própria baixada pelo governo se
traduz por um endividamento de prazo muito longo, em que o mutuário fará tudo
para não perder o imóvel adquirido, que é a garantia para a instituição
financeira.
Além disso, os bancos
aceitaram que as lojas oferecessem pagamentos a prazo longo, muitas vezes com a
garantia dos cartões de crédito.
Neste contexto, pode-se
entender a preocupação dos bancos com a possibilidade futura de uma explosão de
inadimplência, quando se considera que só no mês de abril se registraram 224,4
milhões de operações com cartões de crédito.
Caberia aos bancos
mostrarem-se mais cautelosos na distribuição de cartões, fixando um limite de
financiamento para eles. Seria bom, também, que estudassem a possibilidade de
eliminar o "pagamento mínimo", que é um convite ao endividamento, e
recusassem operações com prazos de pagamentos de mais de três meses.
Fim
O MUNDO CRUEL
Fonte:
Folha.com, Luiz Rivoiro
O que é um filme
"para crianças"? Ou, reformulando, o que seria um filme
"adequado" para menores? Assim como uma infinidade de questões acerca
do futuro da humanidade, essa é uma pergunta que me faço quase todos os finais
de semana quando me pego planejando com os garotos a nossa próxima ida ao
cinema. Muita gente pode achar isso tolice, já que tem a resposta na ponta da
língua: "Ora, qualquer produção que apresente bichinhos fofos, animais
falantes ou crianças espertinhas, algo como Backyardigans e Pinky Dinky Doo,
certo?" Huuuummm... Sim. Não. Mais ou menos.
Cada vez mais, no
entanto, a chamada indústria do entretenimento vem se sofisticando e
introduzindo questões complexas em suas produções voltadas para o público
infantil. Já falei aqui, por exemplo, de UP - Altas Aventuras, da Pixar. Seu
foco é obviamente a criança, mas é impossível ignorar o apelo e a enorme carga
de significados que sua sequência inicial sobre a passagem do tempo, vida e morte
capaz de tocar fundo qualquer adulto e, ainda assim, encantar o público
infantil. Esse é apenas um exemplo de temas ditos "adultos"
introduzidos de forma consciente em tramas aparentemente pueris. Há outros,
claro, como a questão da preocupação com o futuro do planeta em Wallie., também
da Pixar, ou a descoberta do ser "humano" para além da aparência
exterior em Shrek, da Dreamworks, ou ainda sobre a consolidação da amizade
apesar das diferenças, como vemos em A Era do Gelo, da Fox. Mas não é só isso.
Para além dos chamados temas "nobres", existe uma outra vertente.
Mais cruel. E, ao meu ver, igualmente necessária.
Nesta categoria,
encaixam-se especificamente os filmes dirigidos/produzidos por Tim Burton. Seus
personagens quase sempre não são bonitos. Muito pelo contrário. São feios.
Melhor, horrorosos. Por dentro e por fora. Expõem na sua bizarrice o que há de
pior no ser humano. Dê uma olhada em A Fantástica Fábrica de Chocolate, por
exemplo. Ninguém ali, salvo o garoto Charlie e sua família, é lá muito normal.
Williy Wonka chega mesmo a apresentar sinais claros de sadismo ao
"punir" as crianças que visitam a sua fábrica (e olha que a versão de
Johnny Depp dá uma suavizada no personagem interpretado por Gene Wilder na
versão de 1971, ainda mais cruel). E dá para dizer que é um filme para
crianças? Claro que sim! Os meninos lá em casa adoram! E não é só esse.
Mais sinistros, O
Estranho Mundo de Jack, A Noiva Cadáver, 9, Alice no País das Maravilhas ainda
tem a ousadia de falar de aberrações, monstros, fantasmas, vampiros, cadáveres,
bonecos nada bonitinhos, personagens amalucados. Os temas e a paleta de cores
vão muito além do universo "azul bebê e cor de rosa e bichinhos
cuti-cuti" que normalmente povoam o imaginário que os pais insistem em
construir para seus filhos. Mas o mundo afinal de contas não é assim? Por acaso
não devemos nos acostumar com a existência da morte em nossas vidas? Ou com
todo o "dark side" da raça humana? Ou, enfim, com a existência do
mal? A meu ver, sim.
Claro que não acho que
as crianças devam ser expostas a altas doses de violência, sangue, tripas,
torturas ou coisas do gênero. Óbvio que não. Cada coisa a seu tempo, sem
dúvida. Mas considero válida a proposta de Burton de tratar de temas
aparentemente "tabus" de maneira ao mesmo tempo criativa e bizarra. E
as crianças sabem o que está rolando. Quando Jack sequestra o Papai Noel para
se apoderar do Natal, por exemplo, elas sabem que aquilo não é certo. São mais
espertas do que podemos admitir, ainda que teimemos em não aceitar isso em nome
de uma suposta e perene "inocência" infantil. Nada disso. O que eles
veem na tela é apenas um conto de Natal, uma fantasia, como tantas outras. Um
pouco diferente aqui e ali, mas no fim de tudo, uma fantasia. Só isso. E
ninguém vai sair por aí cortando cabeças só por que a Rainha assim o diz em
Alice.
Por isso me irrito com
gente que se dispõe a mudar o final dos contos escritos pelos irmãos Grimm ou
tornar as canções infantis politicamente corretas (e olha que, no original,os
contos de fada são muito, mas muito mais cruéis do que as versões lançadas por
aqui). Assim não se muda a realidade, tenta-se maquiá-la, pintá-la de azul bebê
e cor de rosa. Salva-se o gato, mas e daí? Sabemos muito bem que há muito mais
cores por aí, algumas nem tão brilhantes. Aos poucos, as crianças também irão
descobrir isso.
Fim
O DESAFIO DA INFRAESTRUTURA
Fonte:
Zero Hora
O balanço do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC), feito ontem pela Casa Civil, revela que, desde
janeiro de 2007, os recursos investidos somam R$ 463,9 bilhões, volume
significativo para um país historicamente pouco comprometido com planos
continuados de execução de projetos de interesse imediato para a sociedade. O
mesmo levantamento, porém, demonstra que, por diferentes razões, menos da
metade das obras previstas pelo maior plano dos investimentos do país já foi
concluída. E acaba reforçando os resultados de levantamento do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que, embora criticado pelo Planalto por não
levar em conta períodos recentes, quando as verbas para obras aumentaram, faz
um alerta oportuno para desafios a serem enfrentados em áreas como a de
rodovias e aeroportos.
O levantamento da Casa
Civil reconhece que grandes empreendimentos, como a duplicação do trecho Sul da
BR-101, se encontram hoje com o selo amarelo, convenção escolhida para designar
um projeto merecedor de atenção especial. O mesmo estudo demonstra que, na área
energética, metade da programação foi concluída, enquanto no setor de
transporte aéreo a situação preocupa, particularmente no caso de reformas de
alguns complexos importantes, como as do Aeroporto Internacional Juscelino
Kubitschek, de Brasília. Isso significa que, mesmo aplicando mais em relação a
anos anteriores, como é alardeado a cada balanço oficial do PAC, o país ainda
investe menos do que o necessário em áreas essenciais. Isso ajuda a explicar a
particularidade de, em algumas áreas, o país enfrentar problemas sérios já
neste momento, o que exige providências imediatas e eficazes.
A situação é
particularmente preocupante pelo fato de o país ter conseguido atenuar
internamente os efeitos da crise econômica global, retomando um ritmo de
expansão da atividade econômica visto pela grande maioria dos analistas como
consistente e com tendência a se manter nos próximos anos. Além desse horizonte
previsível, o país ainda terá pela frente alguns eventos importantes que
demandam mais infraestrutura, como é o caso da Copa das Confederações em 2013,
da Copa do Mundo em 2014, com jogos por diferentes capitais, e dos Jogos Olímpicos
em 2016, no Rio de Janeiro. A combinação de estabilidade com crescimento
continuado acena também com um aumento considerável na demanda por rodovias,
responsáveis por 70% do transporte de carga no país, e pela oferta de bens e
serviços de maneira geral, incluindo desde energia elétrica até a rede
hoteleira.
O país não pode correr o
risco de precisar conter a expansão econômica por carências em áreas como a de
transporte ou a energética. Isso significa a necessidade de investir ainda mais
do que hoje e, ao mesmo tempo, de zelar permanentemente pelo rigor no
cumprimento do cronograma de execução das obras.
O país não pode correr o
risco de precisar conter a expansão econômica por carências em áreas como a de
transporte ou energética.
Fim
FILHOS DO MEDO
Fonte:
Zero Hora, Eliani Gracez Nede
O ser humano encontrou
no medo uma forma de organização social. Surge, assim, a cultura do medo. Impor
limites, para alguns, é impor o medo. E, assim, milhares e milhares de crianças
foram educadas pelo medo, para o medo e com medo. Crianças que cresceram
limitadas, angustiadas e, é claro, infelizes. Quando uma criança é educada com
medo, ela se torna obediente e incapaz de impor sua vontade diante das relações
desiguais. O medo assume uma representação marcante e limitadora da
potencialidade humana. Por isso, a educação, historicamente, se deu através de
castigos e agressão. E, assim, ao longo dos séculos, o medo foi “o carro-chefe”
da educação.
Como bons filhos do
medo, tememos até mesmo a liberdade, pois o medo impõe um limite atroz, e por
isso desconhecemos a liberdade. Medo de morrer, medo da velhice, medo da
doença, medo de perder o que foi conquistado, medo de promover mudanças na
vida, por isso preferimos a mesmice, medo do desconhecido. Medo de encarar um novo
desafio e perder tudo. Medo de ter que começar tudo outra vez. Medo! Medo!
Medo! Onde há o medo, não pode haver sabedoria, dizia um filósofo antigo. Não
sabemos mais viver sem medo e sem disseminar o medo. Seja através de uma
chinelada no filho ou um olhar ameaçador. Tem até quem pense que só respeitamos
aqueles a quem tememos. É por não saber fazer se respeitar de outra forma, que
o ditador impõe o medo e alguns pais usam o chinelo. Quanta ausência de
sabedoria!
Tudo isso, porque ao
invés de criar a cultura da felicidade e ensinar aos filhos como fazer bom uso
da liberdade, por falta de sabedoria, criamos a cultura do medo. E hoje, por
mais que uma mudança no paradigma da educação seja necessária, tememos a
mudança. Foram séculos e mais séculos de educação pelo medo. E, com isso, a
liberdade, em pessoas despreparadas para ela, tomou caminhos tortuosos. Tudo
isso porque a liberdade na cultura do medo foi afastada, extirpada como se
fosse um grande mal. O desafio é grande, acabar com a cultura do medo é dar a
todos os seres humanos a mesma condição de igualdade ou de liberdade. Por isso
hoje se fala em “rede” ou “teia” na área da educação e da família. Onde uma
pessoa não é mais importante do que a outra. O problema é: quem é que sabe
educar sem se impor através do medo? Onde estão nossos sábios? Ditadores,
poderíamos apontar um monte, mas, sábios, quem conhece um?
Fim
PERMANÊNCIA INSUSTENTÁVEL
Fonte:
Gazeta do Povo
Está nas mãos do Poder
Judiciário o afastamento cautelar do presidente da Assembleia Legislativa,
Nelson Justus (DEM), e do primeiro-secretário, Alexandre Curi (PMDB), dos
respectivos cargos que ocupam na Mesa Diretora do Legislativo Paranaense.
Neste momento, o Judiciário tem a oportunidade de desempenhar o papel para o
qual foi constitucionalmente instituído e restabelecer a ordem quebrada pela
Assembleia Legislativa.
Os atos praticados nas
últimas décadas levaram o Legislativo a uma desmoralização sem precedentes.
Contratação de parentes sem concurso, de funcionários fantasmas e desvio de recursos
públicos num valor que supera facilmente R$ 100 milhões se tornaram
corriqueiros na Casa do Povo. Chegou-se ao fundo poço. Não há outro caminho à
sociedade paranaense, o que inclui o Poder Judiciário, senão lutarmos contra
essa doença que contamina a vida pública e insiste em permanecer.
Existem motivos mais que
suficientes para o Judiciário ordenar a saída de Nelson Justus e Alexandre Curi
da direção da Casa. Já há dois meses, denúncias de ilicitudes praticadas por
debaixo dos olhos de Justus e Curi são divulgadas pela Gazeta do Povo e pela
RPC TV, sem que ocorressem medidas verdadeiramente saneadoras pelos líderes da
Casa do Povo. Mesmo após as denúncias, seja pelo descaso, seja pelo
sentimento de impunidade, isto é, pela coautoria, a lista de irregularidades
na Assembleia, comandada pelos dois parlamentares, continuou crescendo. Atos
secretos foram editados. Diários Oficiais não vieram a público. Documentos
foram adulterados. Aliás, isso não veio à tona por iniciativa da Direção da
Assembleia, como se esperava que fosse, mas sim por conta do cumprimento do
mandado de busca e apreensão concedido pela Justiça a pedido do Ministério
Público.
Por tais razões,
corretamente, o pedido do Ministério Público de afastamento dos dois parlamentares
baseou-se no fato de que, como dirigentes do Poder Legislativo paranaense,
Justus e Curi tinham pleno conhecimento dos ilícitos que ocorriam na Casa, sendo
negligentes na sua administração e facilitando o desvio de recursos públicos.
Ao denunciar os dirigentes da Assembleia Legislativa, o Ministério
Público reafirmou o papel de independência e fiscalização dos poderes que
lhe foi garantido pela Constituição da República.
Justus e Curi estão
sendo denunciados pelo Ministério Público por improbidade administrativa, e
a permanência deles na direção da Casa ultrapassa qualquer medida de bom senso.
Desrespeita a sociedade. É decretar a impunidade. Permite pensar que a
igualdade entre políticos e cidadão é uma peça de ficção. Um conto fantasioso
para crianças. Impossível continuarem dirigindo a Assembleia nessas
circunstâncias.
Num cenário como esse,
afora o sentimento de impunidade e descrédito do Estado, a permanência de
Nelson Justus e Alexandre Curi na direção da Assembleia é um convite ao
fracasso retumbante de qualquer investigação séria que possa ser realizada.
É preciso agir. O perigo
é iminente.
Fim
COMO SEMPRE NESTE PAÍS
Fonte:
Folha Online, Eliane Cantanhêde
Num país como o Brasil,
em que tudo é festa e o futebol é a verdadeira paixão nacional, a Copa do Mundo
e a política embolam e sempre há como o presidente do momento tirar a sua
casquinha. Isso vem de longe.
É claro que com Lula não
seria diferente. Logo ele, que é corintiano roxo, adora jogar uma pelada e faz
política 24 horas por dia, metade do tempo recorrendo a metáforas
futebolísticas. É por isso que a seleção de Dunga faz uma escala técnica hoje
(26/05) em Brasília, antes de seguir para a África do Sul, e aproveita para dar
uma passadinha no Palácio da Alvorada e tirar montes de fotos com Lula. Em
casa.
Para o técnico e seus
craques, nunca é demais confraternizar com um presidente com 76% de
popularidade, conforme o Datafolha, e que ficou com os louros de trazer a Copa
para o Brasil em 2014. E, para Lula, sempre é uma oportunidade a mais (ele não
perde uma!) de capitalizar politicamente. Ainda mais num ano de eleição.
O ritual de presidentes
com seleções se repetem de quatro em quatro anos, desde 1958, e o risco é
quando eles tentam converter o poder político em ingerência no time.
Treinadores e craques acatam nas ditaduras, mas, nas democracias, sempre podem
dar o troco. Foi a diferença entre o governo Médici e os dos democratas
Fernando Henrique e Lula.
Em 1958, Juscelino
Kubitschek, o presidente que gostava de sorrir, de dançar e de cantar, recebeu
Pelé ainda no Palácio do Catete, no Rio, depois do primeiro título mundial, na
Suécia. Em 1962, já em Brasília, João Goulart repetiu a cena depois da
conquista do bi, no Chile. E virou praxe.
Os presidentes generais eram
diferentes em tudo de JK e de Jango, mas na hora do futebol eram todos
brasileiros. E tinham o olho nos votos. Em 1966, o caladão marechal Castello
Branco recebeu a seleção, depois eliminada na Inglaterra. Em 1970, o general
Emílio Médici capitalizou politicamente cada gol, cada momento, cada milímetro
da taça do tri conquistado no México.
Vem daí o hino "Pra
Frente Brasil", que embalou as campanhas da Arena, partido da ditadura:
"Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração. Todos juntos
vamos, pra frente Brasil, salve a seleção!". Eram tempos de torturas nos
porões, crescimento econômico e intensa propaganda do regime.
Então prefeito de São
Paulo, o atual deputado Paulo Maluf (PP) pegou carona na festa e presenteou a
seleção com 25 "fuscas", sucesso na época. Teve seus quinze minutos
de glória e muitos e muitos anos de processo na Justiça.
Fernando Collor jogou
uma "pelada" com a seleção antes da Copa da Itália, em 1990, mas deu
azar. O Brasil foi eliminado nas oitavas de final -- e pela Argentina! Mas seu
sucessor, Itamar Franco, confirmou que era e continua sendo um homem de sorte,
o típico pé quente: quatro anos depois, comemorou o tetra de 1994, nos EUA.
Nem tudo é festa, porém.
Médici, fanático por futebol e por autoritarismo, "escalou" Dario em
1970. Quem era Zagalo para contestar? Mas, quando o tucano Fernando Henrique e
Lula tentaram dar palpites, técnicos e craques não deram a menor bola. E ainda
revidaram.
FHC defendeu abertamente
a convocação de Romário em 2002. Resultado, levou um "chega pra lá"
de Rivaldo, ao estilo de "não se meta". Com o penta, veio a paz.
"Você ainda está puto comigo?" cochichou FHC no ouvido de Rivaldo no
oba-oba do Planalto. "Que é isso, presidente?", respondeu o jogador.
Os dois se abraçaram, enquanto isso, Vampeta virava uma cambalhota na rampa do
palácio e deliciava os fotógrafos.
Em 2006, foi Lula quem
se meteu onde não devia, ao perguntar ao então técnico Parreira se Ronaldo
estava "gordo". O craque não se intimidou. Com aquela cara bonachona
de sempre, e sem alterar em nada a voz, respondeu que jamais diria que "o
presidente bebe pra caramba". Mas, título que é bom, nada.
Serão dois Lulas hoje
com o time de Dunga: o Lula que adora futebol e o Lula que só pensa naquilo:
eleger Dilma Rousseff. A vitória em 2006 teria sido até legal, vá lá, mas ele
nunca torceu tanto para uma taça na Copa como neste 2010.
Fim
TESTE NUCLEAR
Fonte:
Folha Online, Eliane Cantanhêde
Apesar de o embaixador americano, Thomas Shannon, tentar passar
panos quentes e dizer que não, a questão do Irã provocou um confronto direto e
aberto entre Brasília e Washington.
Enquanto o presidente Lula, o chanceler Celso Amorim e o
assessor Marco Aurélio Garcia tentam comemorar o acordo com o Irã e com a
Turquia para a troca de urânio levemente enriquecido por combustível, o
presidente Obama e a secretária de Estado, Hillary Clinton, mobilizam o
Conselho de Segurança da ONU para ignorar o acordo e impor uma nova rodada de
sanções ao regime iraniano.
O momento é de imensa tensão. Se os EUA conseguiram o apoio
incondicional de França e Inglaterra, o Brasil ainda se esforça para impedir as
sanções acionando os dois outros membros do Conselho: Rússia e China, que são
considerados por Hillary como votos pró-sanções e por Amorim como votos contra
elas. O mundo aguarda ansiosamente o posicionamento dos russos e chineses,
diretamente, sem intermediários e interpretações.
Durma-se com um barulho desses, e em cima de um perigo nada
desprezível: a decisão do Irã de construir, ou não, a bomba atômica. Já imaginou
um Kamenei e um Ahmadinejad com um artefato desses nas mãos? Não apenas o
Oriente Médio, mas todo o mundo estaria numa zona de risco incalculável.
O acordo Irã-Brasil-Turquia, como não cansa de repetir Amorim,
foi pautado nos termos que os próprios EUA e seus seguidores propuseram aos
iranianos no final do ano passado. Naquele momento, deu em nada. Agora, com a
intervenção brasileira, avançou.
O problema, como diz Hillary Clinton, está em duas questões não
especificados nos termos do acordo: a possibilidade de inspeções da AIEA
(Agência Internacional de Energia Atômica), ponto fundamental de segurança; e a
declaração (ameaça?) de um ministro iraniano de que, com acordo ou sem acordo,
o Irã continuará enriquecendo urânio a 20%. Ou seja, dando o dito pelo não dito
e cristalizando a sensação de que o acordo é acessório, mas não elimina a
ameaça de bomba.
Como disse o embaixador Shannon, que está no meio do furacão, o
esforço brasileiro tem méritos, mas o resultado "é insuficiente" para
eliminar dúvidas e temores.
O Brasil se meteu nessa pela ânsia de ocupar um lugar de
liderança no cenário internacional e acabou batendo de frente com os Estados
Unidos. Será que o objetivo era brigar com os grandes para se sentir um deles?
Fim
DIREITOS HUMANOS DE UNS E DE OUTROS
Fonte:
Folha Online, Eliane Cantanhêde
O presidente Lula não titubeou ao pegar a tesoura e cortar todas
as polêmicas do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, o 3º PNDH. Ele sabia com
quem estava mexendo.
O plano havia desagradado, e os cortes agora agradam, a um bom
leque de setores: Forças Armadas, Igreja Católica, agronegócio, associações de
mídia e os ministérios da Defesa e da Agricultura.
Se é assim, tudo indica que o mesmo plano, lançado em dezembro,
havia agradado, e os cortes agora desagradam, a um bom leque de outros setores:
os grupos anti-tortura e pró-Direitos Humanos, os movimentos feministas, o MST
e seus congêneres.
Há uma profunda diferença entre esses dois blocos. O primeiro,
que acabou vencendo a guerra e dobrando o governo, é mais articulado, mais
independente em relação a Lula e tem um enorme peso. O segundo, o dos
derrotados, também é articulado, mas, se era independente e muito crítico dos
governos anteriores, se tornou simbioticamente aliado a Lula.
Então, o nosso presidente certamente pensou: por que desagradar
quem preciso atrair para agradar quem está comigo de qualquer jeito,
incondicionalmente? Pensou certo.
A reação contra a versão original do 3º PNDH foi virulenta, mas
a reação contra o resultado final tem sido pífia, desmilinguida. A turma
derrotada engoliu e digeriu bem as mudanças. Curioso? Nem tanto.
A versão final do plano recua:
1) na defesa do aborto, na retirada de símbolos religiosos de
órgãos públicos;
2) na investigação de tortura na ditadura militar (até a referência
à data, de 1964 a 1985, foi retirada);
3) no veto ao uso de nomes de presidentes-generais em ruas e
praças públicas;
4) na identificação de prédios (como quartéis e outras
instalações militares) onde houve tortura;
5) na criação de um "ranking" para definir as TVs e
rádios que são boas ou não, com previsão de penalidades, desde multas até
cassação de concessão;
6) nas mudanças em duas áreas de disputa entre os sem-terra e o
agronegócio: mediação de conflitos e reintegração de posse na área rural. Ficou
para o Congresso decidir. Se, e quando, sabe-se lá...
O governo diz que, entre o ideal e o possível, optou pelo
possível. Mas bem poderia reconhecer que, entre os mais poderosos e os mais
amigos, ficou com os mais poderosos. Bem naquela velha base de "quem pode
pode"...
Fim
CRÉDITO, "CHINÁFRICA" E ELEIÇÃO
Fonte:
Folha Online, Fernando Canzian
NORDESTE - Na beira da BR 324
entre Feira de Santana e Salvador, na Bahia, o vendedor de jaca e cocos Fabio
Almeida pergunta que tipo de frutas eu e o fotógrafo João Wainer gostamos.
"Banana e fruta do conde". Ele anota e diz estar fazendo uma
"pesquisa" com clientes porque vai tomar um pequeno microcrédito para
diversificar a barraca.
Afinal, Fabio está pagando um consórcio de uma moto da marca
Shineray, importada da China pela Beijing Motors, em Feira de Santana. Precisa
faturar mais.
A poucos quilômetros dali, também na margem da BR 116, a baiana
Tatiana Coutinho está pagando R$ 156 mil por uma casa financiada de 46m2 (o
equivalente a R$ 3.300 o m2). Além disso, pensa em financiar (para investir) a
compra de um imóvel comercial em Salvador.
O Nordeste liderou nos últimos cinco anos a alta do crédito no
Brasil. Na região, o salto foi de 330%, ante 243% no Sudeste.
É raro um país crescer rapidamente sem que o crédito financie a
expansão.
O maior ciclo de crescimento econômico global dos últimos 30
anos (interrompido com a crise mundial de 2008) teve o crédito às famílias como
combustível. Mas foi também o seu veneno, pois agora chegou a hora de pagar a
conta da farra de financiamentos. É essa a origem da crise nos EUA e na Europa.
No Brasil, o perigo é que o aumento do crédito ao consumo cresce
três vezes mais rápido hoje do que o destinado aos investimentos das empresas
(18% contra 6% em 12 meses).
A conta só fecha sem muita inflação porque o país está
importando 50% mais produtos neste ano, suprindo o que as empresas locais não
conseguem produzir.
Em abril, o total do crédito a pessoas e empresas no Brasil
atingiu R$ 1,46 trilhão. Isso equivale a 45% do PIB. Nos países avançados, o
crédito supera facilmente 100% do PIB.
É bom que o crédito cresça. Mas isso deveria se dar de forma
sustentável (sem comprometer o orçamento das famílias) e mais barata (o juro
para financiamentos no Brasil ainda ultrapassa 40% ao ano).
Deveria haver também financiamentos mais em conta ao setor
produtivo, e muito mais obras de infraestrutura. Pois a maior quantidade de
consumidores e consumo no mercado tende a jogar não apenas lenha na inflação,
mas arrebentar a já limitada infraestrutura no país.
No Nordeste isso é gritante. A região se transformou em uma
espécie de " Chináfrica". Une um crescimento "chinês" no
consumo a uma infraestrutura quase "africana".
O resultado disso é um inchaço nos preços, principalmente no
mercado imobiliário. Nele, investidores internacionais compram hoje grandes
áreas em praias contaminadas por coliformes fecais e sem saneamento básico.
As rodovias sofrem com volumes cada vez maiores de cargas que
não podem ser transportadas via portos congestionados. E grandes obras estatais
estão paradas há anos.
Conciliar o "boom" do crédito no Brasil com um aumento
correspondente na produção e da infraestrutura será um dos maiores desafios do
novo presidente.
Fim
POPULAÇÃO DE RUA
Fonte: O
Estado de S. Paulo
Não há quem não veja, nas áreas centrais da capital, como as
Praças da Sé e da República, pessoas carregando cobertores nos ombros durante o
dia. Essas pessoas, sempre carregando trouxas de roupa de cama, que se
locomovem aparentemente sem direção, são moradores de rua. Se têm aparência
jovem, são prontamente confundidos com drogados e os transeuntes tomam o
cuidado de evitá-los. Se são mais velhos, são geralmente mendigos. Alguns se
postam em frente aos bares e pedem dinheiro para um café ou uma "prontinha".
Nenhum deles diz abertamente que quer dinheiro para tomar uma
"birita".
Mesmo para os habitantes de São Paulo, acostumados a essa
realidade, é chocante saber que a população de rua da cidade abrange 13.666
pessoas, segundo levantamento realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas (Fipe) da USP, uma população maior que a de 328 dos 645 municípios
paulistas.
Desse total, 6.587 (48,2%) dormem ao relento. Outras 7.079
(51,8%) vão para os 41 albergues existentes, com 8.200 vagas. Há sobras,
portanto, mas insuficientes para atender os que não têm onde se recolher à
noite.
Impressiona também saber que, enquanto a população da cidade e
da região metropolitana diminuiu na proporção de 0,56% ao ano entre 2000 e
2008, segundo dados da Fundação Seade, a população de rua aumentou 57% nos
últimos dez anos (a pesquisa foi realizada no fim de 2009, utilizando o ano
2000 como referência).
Não se pode culpar apenas a atual administração municipal por
uma situação que reflete a falta de políticas públicas capazes de produzir
resultados. E o problema também não pode ser atribuído somente ao maior consumo
de drogas. Se é verdade que 7,7% da população de rua hoje é composta de jovens
de 18 a 30 anos, metade dos quais viciados em crack, eles são minoria, assim
como os de mais de 50 anos (7,8%). A grande maioria é formada por pessoas com
idade média de 40,2 anos, e 79,7% são do sexo masculino. Se não são portadores
de doença grave ? e presumivelmente não são, já que sobrevivem ao relento ?,
são homens aptos para o trabalho, em uma economia em expansão.
Como bem observa a professora Silvia Schor, da FEA/USP, que
coordenou a pesquisa, é utópico pensar que a cidade de São Paulo consiga acabar
com a sua população de rua. Há fatores sempre associados à extrema pobreza,
como alcoolismo, drogas, desemprego, rompimento de relações familiares, etc.,
que tornam tão complexa a assistência social. Há, porém, como disse a
professora, duas condições básicas que podem e devem ser aperfeiçoadas, como a
diversificação da rede de atendimento e a provisão de serviços de moradia
social.
A Prefeitura de São Paulo tem procurado agir nesse campo. Se bem
que reduziu as vagas de albergues disponíveis no centro da cidade, pretende
criar mais 1.200 vagas. A Secretaria de Assistência Social tem procurado incentivar
a criação de repúblicas de moradores de rua, em casas alugadas. Até agora, são
7 repúblicas, com 140 moradores. Podem ser muito mais. A Prefeitura também
montou tendas para atendimento diurno e para contato entre os moradores de rua
e educadores. Até agora são 2 tendas, com a promessa de mais 5 até o fim do
ano.
A única informação animadora na pesquisa, se assim se pode
dizer, é que o número de crianças e adolescentes que vagam pelas vias públicas
paulistanas caiu de mais de 700 em 2000 para 448 em 2009. Isso evidencia que os
serviços de amparo a menores têm funcionado com muito mais eficiência do que
aqueles voltados para a população de rua adulta.
Contudo, não cabe só à Prefeitura lidar com esse problema. O
governo do Estado tem sua parcela de responsabilidade, assim como o governo
federal, que tanto festeja o Bolsa-Família como instrumento de combate à
pobreza. Enfim, toda a comunidade terá também de assumir sua parte, fazendo
mais do que já faz, como a Campanha do Agasalho por exemplo.
Fim
DEMAGOGIA NO ENSINO SUPERIOR
Fonte: O
Estado de S. Paulo
Das 13 universidades federais criadas nos dois mandatos do
presidente Lula, o que lhe permite afirmar que é o governante que mais investiu
na expansão do ensino superior público desde a descoberta do País, chamam a
atenção por terem sido especialmente criadas com o objetivo de reforçar sua
imagem externa e reafirmar as "novas responsabilidades" que o Brasil
vai assumindo no cenário internacional.
Sediada em Foz do Iguaçu, na fronteira com a Argentina e o Paraguai,
uma delas é a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), que
está funcionando provisoriamente num prédio da Usina Binacional de Itaipu. A
outra, que será erguida em Redenção, a 55 quilômetros de Fortaleza, é a
Universidade Federal de Integração Luso-Afrobrasileira (Unilab). Com cerca de
27 mil habitantes, a cidade foi escolhida por ter sido a primeira a libertar
todos os seus escravos antes da Lei Áurea, de 1888. Esse critério dá a medida
das intenções do governo.
Como a criação das duas instituições decorreu mais de marketing
político do que de critérios acadêmicos, as autoridades educacionais querem
implantá-las o mais rapidamente possível, a fim de criar um fato consumado. Há
o receio de que, se a oposição ganhar a eleição de outubro, o próximo governo
possa cancelar essas iniciativas que, além de caras, primam pela demagogia. Ao
justificar a criação da Unilab, assessores de Lula invocam a necessidade de
resgatar uma "dívida histórica com a África" e reforçar a Comunidade
dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), por meio de intercâmbio acadêmico e
oferta de ensino superior gratuito a alunos vindos de Angola, Cabo Verde, Guiné
Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e até do Timor Leste e de Macau. No
caso da Unila, que pretende valorizar a adaptação de novos conhecimentos à
"realidade regional" e os "elementos centrais da problemática
latino-americana", os assessores de Lula enfatizam a necessidade de um
"projeto político-pedagógico" destinado a aumentar a influência do
País na região do Mercosul.
Das 5 mil vagas que a Unilab pretende oferecer em seus cursos de
graduação, nas áreas de produção de alimentos, saúde pública, proteção
ambiental, gestão de pequenos negócios e formação de docentes para educação
básica, metade será para alunos brasileiros e metade para estrangeiros. O mesmo
critério também será adotado na Unila, cujas aulas deverão começar no próximo
semestre, com professores recrutados em toda a América Latina ? e não só no
Brasil. Na Unila, cujos prédios começarão a ser construídos em setembro num
terreno de 40 hectares, com base num projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, o
reitor será sempre brasileiro, enquanto o vice-reitor virá dos países da
região, com a condição de que tenha o título de doutor. O primeiro reitor será
o cientista político Hélgio Trindade, da UFRGS, e o vice-reitor será o
sociólogo uruguaio Gerónimo Sierra.
Nas duas instituições não haverá cobrança de taxas e
mensalidades e os alunos receberão bolsas para alimentação, alojamento e
transporte. Na Unila eles serão selecionados com base numa prova que, além de
não ser eliminatória, será realizada em seus respectivos países de origem. Na
Unilab a ideia é conjugar políticas de "inclusão social" com
"distribuição étnico-socioeconômica dos países da CPLP", tomando-se
por base as notas obtidas no Enem pelos estudantes da região do Maciço de
Baturité, onde se situa a cidade de Redenção.
Além da Unilab e da Unila, o governo estuda a criação de mais
uma instituição "temática", a Universidade Federal da Integração da
Amazônia Continental. Em matéria de ensino superior, o governo continua
atirando para todos os lados. Tentou promover uma reforma universitária, em
2004, e fracassou. Tentou usar o Enem para unificar os vestibulares das
universidades federais, em 2008, e desmoralizou esse mecanismo de avaliação. E,
enquanto a maioria das universidades federais enfrenta déficit de equipamentos
e de professores motivados, desperdiçam-se recursos escassos com iniciativas
demagógicas.
Fim
O FORUM DO ENSINO PRIVADO
Fonte: O
Estado de S. Paulo
Obrigado por lei a lançar até dezembro o Plano Nacional de
Educação para os próximos dez anos, o governo convocou uma "conferência
nacional" para discutir o assunto, da qual participaram representantes dos
mais variados setores da administração pública, dos sindicatos, movimentos
sociais, ONGs e entidades da chamada "sociedade civil organizada". O
encontro ocorreu há dois meses, foi apresentado como um "espaço
democrático aberto", contou com a participação do presidente Lula e
terminou com um documento que faz a defesa da expansão do dirigismo estatal e
da imposição de restrições à liberdade de iniciativa no setor.
A justificativa é que o ensino superior é um "bem
público", motivo pelo qual a oferta de vagas por universidades privadas
teria de ser feita somente por meio de um regime de concessão, a exemplo do que
ocorre nas áreas de energia, petróleo e telecomunicações. Para os 3 mil
participantes da Conferência Nacional de Educação, as universidades
particulares visam ao lucro e, ao contrário das públicas, não se preocupariam
com a qualidade dos serviços que prestam.
A tese que prevaleceu na conferência foi a de que, se a União
tem a prerrogativa de "articular" o sistema educacional, ela também
deveria "normatizar e controlar" as universidades privadas, além de
estabelecer parâmetros para currículos e projetos pedagógicos.
Esse controle seria feito por uma agência reguladora e o setor
educacional seria organizado como um "sistema nacional articulado",
nos moldes do Sistema Único de Saúde. A ideia é criar um processo decisório
compartilhado, por meio de um órgão normativo, integrado por representantes do
Ministério da Educação (MEC), gestores estaduais e municipais, sindicatos e
organizações sociais, mas não por representantes do ensino privado.
Como sabiam que a conferência convocada pelo governo enveredaria
por esse caminho, as instituições privadas de ensino superior não só não
compareceram ao evento, como também decidiram realizar um fórum da educação
superior particular. Pretendiam com isso ser ouvidas pelas autoridades
educacionais durante a elaboração do Plano Nacional de Educação. Mas, enquanto
a conferência do governo teve ampla repercussão, o fórum, realizado três
semanas depois, foi ignorado pela mídia.
Embora sejam responsáveis por quase 80% da oferta de vagas do
ensino superior do País e venham recebendo vultosas somas de fundos de
investimentos para financiar sua expansão, as universidades privadas têm sido
obrigadas a viver na defensiva com relação ao MEC, que desenvolveu mecanismos
de avaliação ouvindo somente as universidades públicas. As instituições
particulares são acusadas de "mercantilismo", de oferecer uma
educação de má qualidade, de não fazer pesquisa científica e de não realizar as
chamadas "atividades de extensão".
Há muito de verdade nessas acusações, mas elas não podem ser
generalizadas. A pauta do fórum da educação superior, por exemplo, que incluiu
temas como sistemas de avaliação, indicadores de qualidade de ensino,
capacitação docente, pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas e
financiamento estudantil, foi discutida por representantes de reputadas
instituições privadas de ensino.
A síntese dessas discussões foi apresentada sob a forma de uma
carta de princípios, cuja redação teve por objetivo "desconstruir o
discurso sutilmente elaborado dentro dos bastidores do MEC que exclui a
iniciativa privada das reflexões sobre os mecanismos pelos quais elas são
avaliadas".
Evidentemente, o ensino superior privado tem muitas falhas, como
também acontece com as universidades públicas. Com o fórum da educação superior
particular, as entidades do setor substituíram uma postura defensiva por outra
mais ativa, divulgando o que têm feito, com base no princípio da
responsabilidade social do ensino, e deixando claro que também têm sugestões a
dar para o Plano Nacional de Educação da próxima década.
Fim
O NOVO CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA
Fonte: O
Estado de S. Paulo
Os tempos mudaram. Antigo professor de Medicina Legal da
Faculdade Fluminense de Medicina, Leonídio Ribeiro defendia a ideia de que o
médico, chamado pelo doente, "conquista o direito de decidir contra a
vontade do mesmo" e passa a ser "o juiz exclusivo das atitudes que
deve tomar", não ficando jungido à vontade do paciente ou de seus
familiares. Leonídio Ribeiro contava ter atendido um advogado atingido por
apendicite aguda, levando-o à força à mesa operatória para salvá-lo. Consagrava
a submissão do paciente ao saber do médico.
Dizia ainda Leonídio Ribeiro que, por sua influência, o Código
Penal de 1940 estabeleceu não constituir crime de constrangimento ilegal o ato
do médico de impor contra a vontade do paciente tratamento ou cirurgia em caso
de iminente perigo de vida. Um dos autores do código, Mário Bulhões Pedreira,
entendia que a pessoa não tem a liberdade de morrer, porque sua morte é um mal
social.
Com o correr do tempo, especialmente a partir dos anos 70,
passou-se a reconhecer que cabe a cada qual definir o desenvolvimento de sua
personalidade, do que se conclui ser a vida um direito, e não um dever.
Modificaram-se, igualmente, os termos da relação entre médico e paciente. O
médico veio a ter o dever de informar o doente sobre o diagnóstico e os
tratamentos cabíveis, bem como o de ouvir o paciente sobre os caminhos
propostos. O direito de ser informado tem por consequência o de consentir, ou
não, no tratamento.
Agora, vem de entrar em vigor o novo Código de Ética Médica.
Para se determinar o sentido de um conjunto normativo cabe realizar uma
interpretação integral, sistemática, teleológica e sociológica, pois não é a
letra da lei que importa, mas o espírito da lei, através da própria lei:
"Au delà du code ? mais par le code", na expressão de Geny. Ao
intérprete cabe alcançar a razão substancial e prática do escopo que determinou
a edição da norma, a qual deve iluminar a sua aplicação.
O Código de Ética, de início, lista os considerandos, que
indicam a razão de legislar. Num dos considerandos diz-se estar na "busca
de melhor relacionamento com o paciente e na garantia de maior autonomia à sua
vontade". Dentre os princípios, como normas prospectivas, de caráter
finalístico, estabelece-se que o médico "aceitará as escolhas de seus
pacientes relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles
expressos". Faz-se, porém, um adendo: "desde que adequadas ao caso e
cientificamente reconhecidas."
Na parte dispositiva, veda-se ao médico "deixar de garantir
ao paciente o direito de decidir livremente sobre sua pessoa ou seu
bem-estar", (artigo 24), bem como "desrespeitar o direito do paciente
de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou
terapêuticas" (artigo 31). Fazem-se exceções, contudo, pois é dever do
médico exercer sua autoridade para limitar o direito de decidir do paciente,
mormente "em caso de iminente risco de morte".
Dessa maneira se amplia o dever de informar do médico, bem como
se garante que o paciente seja ouvido sobre as práticas diagnósticas e
terapêuticas, mas sempre com uma limitação: "desde que não haja iminente
perigo de morte." O código estabelece um conflito de valores que apenas se
pode resolver no caso concreto, levando-se em alta conta o valor-fim constante
dos considerandos e dos princípios: o direito do paciente de decidir sobre sua
pessoa. Na hipótese concreta, com prudência e bom senso, cabe dar maior ou
menor peso à autodeterminação do paciente em face da beneficência indicada pelo
médico. Por exemplo, uma decisão filha da ignorância e do temor exagerado, em
contrariedade ao indicado pela ciência médica, não pode ser aceita pelo médico.
O mesmo não sucede em casos nos quais uma operação de alto risco pode aumentar
a probabilidade de dano, com dolorosa convalescença, malgrado haja
possibilidade de eventual benefício. Nessa hipótese, a decisão deve ser do
paciente, dando-se prevalência à autodeterminação.
Estatui-se também, como princípio, que o médico evitará
procedimentos desnecessários, o que se completa com o disposto no artigo 41, §
1.º, que permite a ortotanásia, ou seja, deixar que transcorra o processo
natural da morte, não prolongando indefinidamente por meios artificiais uma
vida dolorosa em estado terminal, desde que haja consentimento do paciente.
Dispõe o parágrafo desse artigo: "Nos casos de doença incurável e
terminal, deve o médico oferecer cuidados paliativos disponíveis sem empreender
ações diagnósticas inúteis e obstinadas, levando sempre em consideração a
vontade expressa do paciente ou, na sua impossibilidade, a de seu representante
legal."
O direito de vida digna compreende o direito de não sofrer
manobras invasivas não-curativas que apenas alongam o curso da morte, razão
pela qual, em grande avanço, o código reconhece a validade da vontade do
paciente, em estado incurável e terminal, de ser auxiliado "no
morrer", com meios paliativos e sem imposições inúteis e obstinadas de
prolongar não a vida, mas sim o processo doloroso de morrer.
O Código de Ética Médica por vezes tergiversa ao garantir o
direito do paciente de ser ouvido, ao lado de restringi-lo às hipóteses em que
não haja risco de vida; impõe ao médico aceitar a opinião do paciente apenas se
"adequada ao caso" (cap. I, XXI). A sinalização de ambas as direções
impõe que o correto seja avaliado, neste confronto de valores entre autonomia e
beneficência, somente nos casos concretos. Tão só na hipótese da ortotanásia o
código explicita, sem receio, que o médico, em face do consentimento do doente
ou de seu representante, não está obrigado a prolongar indefinidamente a vida
do paciente em estado terminal incurável por meios artificiais inúteis. É uma
tomada de posição em favor da vida digna, que compreende também uma morte
digna.
Fim
NÃO VALE A PENA SER DO BEM?
Fonte: O
Estado de S. Paulo, Gaudêncio Torquato
Falta ao País, neste momento, a visão de um general como Sun
Tzu, o lendário personagem do livro A Arte da Guerra, adaptado por James
Clavell. Chamado por Ho Lu, rei de Wu, para treinar seus exércitos, o militar,
de pequena estatura física e grande estatura moral, recebeu a missão de provar,
inicialmente, suas habilidades com o treinamento das 180 mulheres do palácio.
Dividiu o grupo em duas companhias, comandadas pelas concubinas favoritas do
soberano. Tinha de fazer as mulheres reagirem às ordens: "Sentido, direita
volver, meia volta, esquerda volver." Gritou posição de sentido. As moças
caíram na gargalhada. Sun Tzu, paciente, ensinou: "Se as ordens do comando
não foram bastante claras, se não foram compreendidas, então a culpa é do
general." Tentou novamente. O grupo esbaldava-se de tanto rir. O general
continuou: "Se as ordens são claras e os soldados, mesmo assim,
desobedecem, então a culpa é dos seus oficiais." Ordenou, então, que as
comandantes das duas companhias fossem decapitadas. No alto do pavilhão, o rei
tomou um susto. Chamou o general e disse: "Estamos muito contentes com sua
capacidade. Mas não podemos nos privar de nossas duas companhias."
Pois é, por aqui as ordens também são claras: não se pode fazer
propaganda eleitoral neste momento. Candidatos e partidos parecem não ouvir. As
decisões dos juízes não deixam dúvida: ilícitos estão sendo cometidos. Mas as
multas irrisórias e seguidas são vistas com desdém. Os infratores, em tom de
deboche, exclamam: "Ganhei mais uma!" Não apareceu, até agora, nenhum
general Sun Tzu para ordenar a decapitação de quem não quer se sujeitar ao peso
da lei. Quem mais chegou às proximidades do velho militar chinês foi a
vice-procuradora eleitoral, Sandra Cureau, que encaminhou parecer ao Tribunal
Superior Eleitoral pedindo a cassação do deputado Paulo Pereira da Silva
(PDT-SP) por desvios cometidos na campanha de 2006. Mesmo diante de ameaças de
punição mais rigorosa, os atores participam de cenas eleitorais abertas. Ou não
acreditam em decisões fatais da Justiça, ou sabem que terão garantido, sob
quaisquer circunstâncias, o direito de usar o longo percurso do Judiciário para
jogar as decisões nas calendas.
A leitura que se faz é sombria: "A lei mostra que não tem
força alguma para segurar a ilicitude eleitoral; quando a Justiça sinaliza que
funciona mal, ela está dizendo para o político de bem que não vale a pena ser
do bem." As enfáticas afirmações são de autoria do novo procurador
regional eleitoral de São Paulo, Pedro Barbosa Pereira Neto, em entrevista a
este jornal (31/5). Trata-se de uma das mais contundentes sentenças que um
servidor público já fez sobre a Justiça. Os fatores que maculam o processo eleitoral,
expostos por ele, levantam muitas hipóteses, entre as quais a de que
candidatos, partidos, estruturas e normas atravessarão um corredor escuro até
chegarem às urnas de outubro. A engrenagem montada para sujar o processo
eleitoral vale-se de elementos que se fundem ou se complementam, um alimentando
o outro, sendo inconsequente ajustar um parafuso e deixar outro solto. Veja-se
o fator impunidade. Se os participantes sabem que não serão punidos com rigor,
mas com "multas pífias", continuarão a cometer infração. O crime vale
a pena. Afinal de contas, R$ 5 mil ou R$ 10 mil são quantias irrisórias. Basta
anotar que 30 segundos em rede nacional, no horário nobre de uma grande
emissora, custam em torno de R$ 400 mil. Os maiores partidos têm direito a 20 minutos
por semestre.
Por que a impunidade impera? A lei não é suficientemente clara?
Ela é, sim. Mas é incongruente com a realidade? Pode ser. Ante uma das mais
acirradas campanhas vividas no País e dentro de um ano tipicamente eleitoral, é
razoável dispor de uma legislação que coíba o palavrório, os palanques, os
eventos e manifestações de candidatos e patrocinadores, mesmo que isso ocorra
nos primeiros meses? Vale lembrar, ainda, que a legislação eleitoral é mutante,
ganhando disposições diferentes a cada ciclo, e dessa forma adquire o carimbo
de casuística. Ora, se essas questões têm relevância, deveriam ter sido
equacionadas muito antes de os contendores entrarem na liça. Porém, se há uma
legislação definindo regras, deveres e direitos, esta deve ser cumprida, sob
pena de o País continuar a escancarar os buracos de sua fachada moral. É o caso
de parodiar Sólon, a quem se perguntou se as leis que outorgara aos atenienses
eram as melhores. O sábio grego respondeu: "Dei-lhes as melhores que eles
podiam aguentar." Entre nós, a resposta poderia ser: "As melhores que
os brasileiros podem burlar."
Há outra pista para desvendar a raiz da impunidade. O procurador
Pedro Barbosa afirma que os tribunais interpretam as leis de modo liberal. A
questão, nesse ponto, é muito mais complexa. Abriga a índole dos juízes e
invade a seara cultural. A imbricação entre o terreno individual e o espaço da
res publica é intensa em nossa cultura política, ensejando, evidentemente,
leitura pródiga dos códigos. Nas entrelinhas, persiste o argumento de que
parcela dos quadros jurídicos considera ter algum parentesco com o corpo
político, a partir do processo de indicações e legitimações de perfis por
detentores de mandatos. Se esticados, os fios do novelo revelam complexa trama.
Não é de admirar, portanto, que as campanhas escudem figuras com fichas sujas e
personagens que se ancoram no poder monetário para cooptar o voto.
Por último, não se deve acreditar que moral e ética, virtudes
tão reclamadas pela sociedade, sejam fruto de leis. Como lembra Montesquieu,
"quando uma República está corrompida, não se pode remediar nenhum dos
males que nascem, a não ser eliminando a corrupção". Eliminar a corrupção
implica, sobretudo, educar o povo, eliminar as desigualdades, banir a miséria.
Tarefa para duas ou três gerações.
Fim
CABEÇAS PERDIDAS
Fonte:
Folha.com, João Pereria Coutinho
No dia em que os Estados Unidos sofrerem novo atentado
terrorista dentro de portas, a presidência Obama estará terminada. O próprio
Obama também: independentemente da reforma da saúde e do absurdo prémio Nobel
da Paz, os americanos, como diria o general Patton, não toleram perdedores.
Já faltou mais. Em dezembro de 2009, um bombista suicida tentou
explodir um avião da Delta-Northwest Airlines sobre Detroit. Só por inépcia
falhou a detonação. Obama suspirou de alívio.
E suspirou de alívio sábado passado. Times Square é o coração de
Manhattan. Sábado à noite é o coração do fim-de-semana em Manhattan, com
milhares de turistas na zona dos teatros. Um carro-bomba, plantado no espaço,
prometia carnificina geral. A polícia de Nova York impediu o pior. Mas até quando?
A pergunta faz sentido. Sobretudo quando Obama e a sua retórica
"conciliadora" não impedem exibições de extremismo. O carro-bomba, na
verdade, não estava apenas em Times Square. Estava a poucos metros dos
escritórios da Viacom, a proprietária do canal onde passa o desenho animado
"South Park". O mesmo desenho animado que esteve no centro de
polémica conhecida.
Semanas atrás, os criadores da série, Matt Stone e Trey Parker,
exibiram um episódio onde Maomé surgia com uma fantasia de urso. A ideia de
Stone e Parker era retratar todos os grandes líderes religiosos. Mas Maomé não
é apenas um líder religioso; é uma promessa de morte para quem se atreve a
desenhá-lo. Por isso uma fantasia de urso resolveria o assunto com certa dose
de humor.
Foi o que bastou para que as ameaças veladas começassem a chover
sobre os criadores. E sobre a estação televisiva, que censurou o episódio. Na
emissão seguinte, Stone e Parker trocavam Maomé pelo Papai Noel; depois, usavam
um bipe sempre que a palavra Maomé era dita; e, finalmente, colocavam a palavra
"censura" sobre as imagens.
Nada disso é novo. Trata-se apenas de uma repetição dos cartoons
dinamarqueses do profeta que incendiaram a Europa e o Islã em 2005. E que
deixaram uma herança fúnebre: o Ocidente, confrontado com o fanatismo islamita,
não parece interessado em defender a sua tradição de secularismo e liberdade de
expressão. Para amansar o fanatismo islamita, o Ocidente não hesita em negar e
destruir esses valores fundamentais.
Essa atitude de apaziguamento, que ao longo da história nunca
comprou respeito ou segurança, tem sido a atitude da atual administração
americana. E não admira que, perante o episódio "South Park", a Casa
Branca tenha enfiado a cabeça na areia quando era essencial que a mostrasse ao
mundo.
Um erro. Quem esconde sempre a cabeça, um dia acaba por
perdê-la.
Fim
A DIFERENÇA DE CLASSE E A DUPLA PORTA
Fonte:
Zero Hora, Lucio Barcelos
A ação impetrada pelo Conselho Regional de Medicina do RS e
aprovada pelo Supremo Tribunal Federal, reeditando a famigerada “diferença de
classe” nas internações e demais procedimentos em hospitais
contratados/conveniados pelo Sistema Único de Saúde, representa mais um ataque
ao já fragilizado sistema público de saúde em nosso Estado e em nosso país.
Essa prática, que chegou a vigorar no início dos anos 90, foi
banida do sistema, pelo simples fato de atentar frontalmente contra a
Constituição Federal, rompendo com os preceitos elementares de igualdade de
tratamento entre os usuários do SUS. Assim, acumulam-se medidas que dificultam
cada vez mais o acesso da ampla maioria da sociedade brasileira que, por pobre,
não pode pagar diferença de classe. Esse movimento tende a favorecer a parcela
da população que detém planos de saúde. Planos que, em sua grande maioria, não
são mais do que simulacros, verdadeiros “atravessadores” do SUS, desrespeitando
suas diretrizes básicas. Dessa forma, de medida discricionária em medida
discricionária, cristaliza-se uma situação que é o inverso daquilo que o
sistema público, ao ser criado, pretendia eliminar.
Só para lembrar, em setembro de 2008, ingressamos com uma
representação junto ao Ministério Público Estadual e Federal, questionando a
existência da chamada “dupla porta” de acesso dos pacientes aos hospitais
contratados pelo SUS.
A dupla porta é, de fato, uma expressão do tratamento
discricionário que é dado aos pacientes do SUS em relação aos segurados dos
“planos de saúde” que utilizam o SUS sem ressarci-lo. A discriminação não se
limita ao acesso, à existência de portas diferentes para a entrada no hospital.
Ela se estende aos cuidados médicos, aos cuidados de enfermagem e ao tipo de
hotelaria ofertado a esses diferentes pacientes.
Os hospitais contratados/conveniados pelo SUS devem cumprir as
determinações constitucionais e infraconstitucionais (Lei 8.080). E a
Constituição e a Lei 8.080 são claras neste aspecto, não deixando margem a
interpretações: deve ser “garantido o acesso universal e igualitário às ações e
serviços para a promoção, proteção e recuperação da saúde”.
Por último, não me espanta a decisão, uma vez que ela é tomada
pela mesma Corte (ou por parte dela) que há poucas semanas atrás decidiu que a
tortura é equivalente a crime político e, portanto, passível de anistia,
contrariando um entendimento universal de que essa prática é inaceitável em
qualquer regime ou sistema social do mundo.
Fim
PELO USO DA ENERGIA RENOVÁVEL
Fonte:
Zero Hora, professor Garcia
Na condição de cidade-modelo do projeto Rede Elo do Iclei
(Governos Locais pela Sustentabilidade), Porto Alegre teve o compromisso de
estabelecer um centro de referência sobre energias renováveis e eficiência
energética, o que ocorreu em setembro de 2009.
O Centro de Referência em Energias Renováveis e Eficiência
Energética (Crer-PoA) tem a missão principal de promover e incentivar, através
de ações e projetos, o uso de tecnologias em energias renováveis e eficiência
energética no âmbito das comunidades locais e regionais.
Dentro da programação da 26ª Semana do Meio Ambiente, iniciada
dia 5, Dia Mundial do Meio Ambiente, e que se estende até 13 de junho, a
Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) lança projeto piloto envolvendo o
uso de energia renovável. Voltados ao aquecimento da água utilizada para banhos
no prédio da Zonal Centro (subsede da Smam que realiza o manejo da arborização
em logradouros públicos na região central da cidade), estão sendo implantados
aquecedores.
O sistema de aquecimento solar é composto de coletores solares
(placas) e reservatório térmico (boiler). As placas coletoras absorvem a
radiação solar e o calor do sol, captado pelas placas, é transferido para a
água que circula no interior de tubulações de cobre.
Com o intuito de difundir conhecimentos sobre energias
renováveis e eficiência energética, o projeto Energia em Debate propõe
discussão a respeito da utilização da energia eólica, também dentro da
programação da Semana do Meio Ambiente. Esse tipo de energia é, geralmente,
captada por “cata-ventos”.
Os recursos em energias renováveis são opções reais para um
futuro sustentável, com o uso de fontes inesgotáveis que não alteram o balanço
energético do planeta. Além da energia solar e eólica, também são fontes
renováveis a energia fotovoltaica (produzida com placas de silício), a
hidroenergia (da água), a energia geotérmica (águas quentes e vapores provenientes
das camadas mais internas da Terra) e a maremotriz (das marés).
Infelizmente, nossa realidade mostra a supremacia no uso das
fontes não renováveis, obtidas dos combustíveis fósseis que necessitam de
milhares de anos para sua formação, portanto são esgotáveis. Como o petróleo, o
carvão e o gás natural.
Essas duas iniciativas da Smam são as sementes que o poder
público está plantando para que as próximas gerações possam colher os frutos
sustentáveis gerados pelo uso das energias renováveis, não poluentes e com
significativa redução de gastos.
Fim
ALÉM DO BEM E DO MAL
Fonte:
Diário Catarinense, Affonso Ghizzo Neto
Com serenidade incomum, a ministra Eliana Calmon, primeira
corregedora nacional de Justiça, lembra que o Judiciário tem uma estrutura deformada.
Como controla tudo, ele acaba agindo como se estivesse acima do bem e do mal.
Lembra que o poder deve ser, efetivamente, fiscalizado e cobrado pelos desvios,
irregularidades, improbidades e eventuais atos de corrupção ocorridos no meio.
Sem prejuízo da oportunidade das críticas, despercebidos não passam e posso
testemunhar os inúmeros juízes que não medem esforços para distribuir a
verdadeira justiça. A carreira pelo interior; o abandono da terra natal ou de
criação; a distância de familiares e a ausência dos amigos; finais de semanas
contínuos; trabalho diário além do horário normal. Ou seja: sacrifícios
diversos, no regular e importante exercício de uma profissão essencial para
qualquer regime que se julgue democrático, solidário, fraterno e justo.
Assim, longe de admitir e aceitar o “endeusamento” do Judiciário
– com a impunidade de magistrados arbitrários, vadios, inoperantes, corruptos
(também sou testemunha), também é preciso evitar generalizações, reconhecendo o
bom exemplo de magistrados que honram a profissão, não medindo esforços para a
resolução, complexa e difícil, dos conflitos humanos.
Todavia, assim como qualquer instituição nacional, é preciso que
o Judiciário se aperfeiçoe no cumprimento constitucional de suas funções. É
preciso abandonar velhas práticas formalistas para se aproximar do povo e,
consequentemente, ter conhecimento da sua verdadeira realidade, angústias,
desejos e aspirações, muito mais complexos e palpitantes do que a tinta da
caneta e o papel do processo possam imaginar.
Fim
MUITAS RAZÕES PARA NÃO CALAR
Fonte:
Gazeta do Povo
A série de reportagens “Diários Secretos” da Gazeta do Povo e da
RPC TV despertou na sociedade o sentimento de indignação. Além de os fatos
levantados serem extremamente graves, as respostas do governo estadual e da
Assembleia Legislativa para a correção de rumos da política local foram
erráticas e insatisfatórias. Não é por outro motivo que amanhã vão acontecer
atos públicos em oito cidades paranaenses – Curitiba, Cascavel, Foz do Iguaçu,
Guarapuava, Londrina, Maringá, Pato Branco e Ponta Grossa – contra as denúncias
de irregularidades no Legislativo paranaense.
Foi por causa das denúncias levantadas pela Gazeta do Povo e
pela RPC TV que a Assembleia Legislativa fez o recadastramento de seus
funcionários, mesmo assim não a divulgou completamente. Funcionários em cargos
de direção não haviam sido colocados na lista divulgada na semana passada. A
medida foi divulgada pelos deputados como saneadora, cujo objetivo era
justamente reestruturar o setor de recursos humanos da Casa. Contudo, como se
observou, falhas sérias continuam existindo. A sociedade quer a transparência
total e em tempo real. Dada a quantidade de denúncias que continuam a surgir,
não há mais espaço para desculpas sobre “eventuais” erros nas listas de
funcionários divulgadas.
É preciso ressaltar que outros fatos irregulares continuaram a
ser realizados após o início da série “Diários Secretos”. Até o momento, os
Diários Oficiais da Assembleia permanecem ocultos. Atos secretos foram
editados. Houve tentativa de obstruir o acesso do Ministério Público a
documentos do Legislativo.
Contudo, o Ministério Público cumpriu com o seu dever
constitucional. A ação da instituição fez Abib Miguel, ex-diretor-geral, ter
sua prisão preventiva decretada no mês passado, junto com outros dois diretores
da Assembleia, para que não atrapalhassem as investigações. No início de maio,
Bibinho e outras sete pessoas foram denunciados pelo Ministério Público.
O Ministério Público pediu ao Poder Judiciário também o
afastamento cautelar do presidente do Legislativo, Nelson Justus, do
Democratas, e do primeiro-secretário, Alexandre Curi, do PMDB, por entender que
há indícios indicando que, embora não tenham se beneficiado do esquema – foram
coniventes com o desvio de recursos públicos da Casa. Justus e Curi foram
também denunciados pelo Ministério Público, por improbidade administrativa.
Não há condições de permanecerem no Comando da Assembleia. Há
fatos demais. Não afastá-los compromete as investigações e o trâmite
processual. Cabe, agora, ao Poder Judiciário cumprir o seu papel e decidir se
irá afastá-los de forma cautelar. Analisando friamente não há como nenhum dos
membros da Mesa Diretora permanecerem dirigindo a Assembleia Legislativa. Foram
no mínimo omissos, para não dizer coniventes, com o desvio milionário de
recursos públicos, pois eram os responsáveis pelo controle e administração do
Legislativo.
Alguns dos problemas da Assembleia paranaense poderiam ter sido
resolvidos pelo governador Orlando Pessuti, do PMDB, caso tivesse vetado o
projeto que na prática legalizou cabos eleitorais pagos com dinheiro público
que atuam nas bases dos deputados. É claro que o pretexto é sempre nobre –
atender às reivindicações dos representados. O resultado, entretanto, já é
conhecido – abre-se brecha para funcionários fantasmas, pagam-se funcionários
para a promoção pessoal do parlamentar. É esse o Paraná que queremos?
O desfecho de todos os episódios da série “Diários Secretos”
ainda não é conhecido. Mas nesses três meses as matérias publicadas têm abalado
o Paraná. Há muito ainda que os parlamentares precisam explicar. A sociedade
não só está cobrando essa explicação como está se mobilizando para propor
mudanças. Esse é o tom do ato público que ocorrerá amanhã.
Fim
A DOSAGEM DO CRESCIMENTO
Fonte:
Zero Hora
Um ano depois de ter se visto forçado a enfrentar o fundo do
poço na área econômica, quando a queda na produção atingiu níveis jamais
vistos, o país está diante de um problema inverso, inédito desde a euforia do
início do Plano Real: uma expansão em ritmo chinês. Em comparação com igual
período do ano passado, o primeiro trimestre deste ano registrou oficialmente
uma expansão de 9%, o que já garante uma elevação de 6% no Produto Interno
Bruto (PIB) neste ano, mesmo na hipótese, improvável, de o fenômeno estancar
daqui para a frente. Como está longe de ser uma China, pois não adequou o ritmo
de seus investimentos ao do crescimento econômico, o Brasil precisa encontrar
formas de dosar a expansão que não se limitem à elevação da taxa de juros, de
efeitos tão perversos para quem produz e para quem consome. Mesmo num ano
eleitoral, quando a tendência é inversa, o poder público precisa fazer o que
evitou até agora: reduzir seus gastos de forma significativa.
A conquista de uma expansão econômica nos níveis registrados até
agora é um feito a ser reconhecido não apenas no Brasil, mas também entre
alguns de seus parceiros mais importantes. Alguns deles só agora esboçam sinais
de reação, como Estados Unidos, enquanto outros ainda parecem viver o auge da
crise, incluindo muitos integrantes da Comunidade Europeia. Internamente, o
trimestre de recordes favoráveis deve ser atribuído às políticas adotadas no
esforço de incentivar segmentos industriais que costumam responder mais
depressa aos apelos por mais produção e mais emprego. O mesmo acerto que o país
obteve na tentativa de evitar a disseminação dos efeitos da crise econômica
global precisará ser demonstrado agora na administração do crescimento.
Lamentavelmente, o país poderia estar melhor preparado para
enfrentar esse tipo de situação se, no passado, tivesse se preocupado mais em
promover reformas estruturais importantes, como é o caso da tributária e da
previdenciária. Ao mesmo tempo, o Brasil investe em infraestrutura uma parcela
insignificante de seu PIB, o que torna o montante discreto demais perto do
chinês, por exemplo. Uma expansão sem limites da atividade econômica
brasileira, portanto, poderia mais facilmente levar a uma alta da inflação e ao
descontrole das contas externas, devido ao aumento das importações. Além disso,
evidenciaria ainda mais fragilidades preocupantes em áreas como o fornecimento
de energia elétrica e a precariedade do setor rodoviário.
O país precisa se mostrar preparado para expandir sua economia
de forma sustentada, evitando fazer com que crescimento acima da média acabe se
transformando em problema. Ainda que esse seja um problema bom de ser
gerenciado, principalmente por parte de quem se mostrou eficiente frente à
crise, a saída é assegurar as condições capazes de garantir um crescimento
sustentado, sem sobressaltos, e cujos resultados possam favorecer
indistintamente todos os brasileiros.
O mesmo acerto que o país obteve na tentativa de evitar a
disseminação dos efeitos da crise econômica global precisará ser demonstrado
agora na administração do crescimento.
Fim
MORRER POLUÍDO É TRÁGICO
Fonte:
Zero Hora, Victor José Faccion
No próximo dia 5 de junho, comemora-se o Dia Internacional do
Meio Ambiente, e lembrei-me com respeito e devoção de que, até a década de
1960, atuou de forma insistente, com poucos recursos, mas um enorme espírito de
luta e um inabalável senso de preservação do meio ambiente, um homem modesto e
altivo chamado Henrique Luiz Roessler.
De enorme bondade de coração mas intolerante com os detratores
da natureza, exercia a Fiscalização do Serviço de Caça e Pesca, e teve o nome
finalmente reconhecido e homenageado com o nome da Fundação Estadual de
Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler. Foi ele, na minha opinião, o
pioneiro do meio ambiente em nosso Estado, bem antes do nosso não menos herói
da natureza o prêmio Nobel José Antonio Lutzenberger.
Quando fui chefe da Casa Civil do Estado no governo Euclides
Triches e secretário da Saúde, Jair Soares, fomos idealizadores de um decreto
que levou o nº 23.082, de 26 de abril de 1974, que instituiu a Política
Estadual de Proteção Ambiental, ação pioneira oficial de nosso Estado nesse
sentido. Podemos considerar que a grande maioria do povo gaúcho, especialmente
as novas gerações, está cada dia mais conscientizada da necessidade da
preservação do meio ambiente.
Mais tarde, quando era secretário de Estado das Obras Públicas,
no ano de 1979, recebi do então governador Amaral de Souza o encargo de
gestionar junto ao governo federal a implantação de um transporte por trem
entre Porto Alegre e Novo Hamburgo. Com projeto da Metroplan, as gestões foram
feitas junto ao Ministério dos Transportes e Banco Mundial, redundando na
implantação de nosso trensurb, exemplo de eficiência. Mas, apesar disso, a
BR-116 é hoje uma enorme fonte de poluição, tranqueira e irritação. Seu “meio
ambiente” está degradado. Urge uma solução. É mesmo imperiosa.
Na presidência do TCE/RS, em 2004, demos início ao Processo de
Auditoria Ambiental no Estado. Agora, a importante iniciativa dos órgãos
institucionais estaduais e federais, no RS, de Justiça, Eleitoral, Trabalho,
Ministério Público e Contas de realizarem, entre os dias 7 e 11 de junho, a 1ª
Semana Interinstitucional do Ambiente, Ética e Solidariedade. A abertura solene
será iniciada no dia 7, às 9h30min, no Tribunal de Contas.
Ações e providências urgentes têm que ser tomadas, com rigor e o
peso da lei, para salvar nossos animais silvestres, nossos pássaros, limpar
nossos rios, despoluir nosso ar e, processando nosso lixo e dejetos, gerar
energia não poluente. Neste sentido, cada um pode e deve dar sua contribuição.
Fim
A LEI FICHA LIMPA É INCONSTITUCIONAL?
Fonte:
Gazeta do Povo, André Folloni
Nossa Constituição certamente admite iniciativa popular e
aprovação por maioria absoluta dos representantes do povo de lei
proibindo a participação em eleições de pessoas já condenadas.
O Brasil vive uma democracia com tímida participação popular. O
povo atua na democracia somente no momento das eleições. Mesmo assim, com
deficiência. Elege-se com base no apadrinhamento ou no assistencialismo; ou
como resultado de marketing milionário, votando-se mais em um produto do que em
um programa político. Vai-se ao shopping, e não ao debate. Enquanto isso, o
direito constitucional brasileiro, em sua abstração, prevê o referendo, o
plebiscito e a lei de iniciativa popular – que, na vida concreta, são
esquecidos: há um plebiscito por década, e pouco mais que isso.
É nesse contexto paradoxal, aliado à permanente corrupção na
política brasileira, que deve ser examinada a provação do PLC 58. Trata-se da
lei contra os “fichas-sujas”, apelido adotado para a vedação do acesso às
eleições a quem tenha, contra si, decisão condenatória da Justiça Eleitoral ou
Criminal, transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, ainda que não
definitiva. Um dos pouquíssimos projetos de lei de iniciativa popular vistos no
Brasil. Tal participação do povo na criação de leis é raridade. Merece
incentivo, prestígio e, acima de tudo, respeito.
Mesmo assim, há quem levante a inconstitucionalidade da lei, por
ferimento ao princípio da presunção de inocência. A abstração na qual se
refugia a astuta razão dogmática permite discursos que acusam o projeto de
ilicitude. Há opiniões honestas nesse sentido. Porém esse é tema no qual o
cinismo recorrente de certos juristas se mostra mais ácido e de maior potencial
danoso.
O controle de constitucionalidade impede que eventuais maiorias
afastem o estado do rumo traçado por aqueles que o constituíram. O norte
adotado pelo Brasil envolve, de um lado, a intolerância à imoralidade pública,
à improbidade administrativa, ao nepotismo, ao abuso do poder econômico, à
corrupção e à fraude; e, de outro, o incentivo ao exercício da cidadania e das
vias democráticas. Por isso nossa Constituição certamente admite iniciativa
popular e aprovação por maioria absoluta dos representantes do povo de lei proibindo
a participação em eleições de pessoas já condenadas, embora em condenação
provisória e, portanto, ainda não consideradas culpadas.
O projeto não considera ninguém culpado antes do trânsito em
julgado de sentença penal condenatória. Está fora do âmbito de incidência do
inc. LVII do art. 5.°, que é um direito/garantia individual-penal. O que o
projeto impede, na forma da vontade popular, é que alguém, mesmo não declarado
culpado, possa concorrer em eleições, pelo justificado motivo da condenação
provisória pretérita. O povo decidiu que aquele cidadão já condenado por órgão
colegiado não merece ser aceito como candidato a representá-lo. O povo não quer
ser representado por quem já tenha sido condenado, ainda que provisoriamente,
pela justiça eleitoral ou criminal. Não se trata o cidadão inelegível como
culpado: trata-se-o como alguém que, dada a decisão condenatória provisória,
não tem a vida pregressa aceitável para ser um representante de todo o povo. É
inelegível, não culpado.
Constitucionalíssima, a lei atende aos valores que a Constituição
adota e defende, e merece ser protegida contra a ignorância
jurídico-constitucional, a dominação política e, principalmente, contra o
cinismo – que, se vencedores, trarão um desestímulo fatal à participação democrática
ativa: um verdadeiro balde de água fria em todos aqueles que acreditam no
aprimoramento da política brasileira.
Fim
Confira exemplos de redações da Unicamp 2012 corrigidas
Do UOL, em São Paulo
09/11/201205h00
Comunicar erro Imprimir
Para ajudar os vestibulandos que tentam ingressar na Unicamp (Universidade
Estadual de Campinas), a instituição divulga algumas redações corrigidas.
Confira abaixo exemplos acima e abaixo da média de textos escritos para o
processo seletivo de 2012, além de redações anuladas.Proposta 1
A partir do enunciado, o candidato deveria construir seu texto colocando-se na posição de um jovem que se vê motivado a comentar o gráfico “Os valores de uma geração”, por meio do canal “fale conosco” do site da Emissora MTV.Redações acima da média
·
2º Exemplo:
·
Redações abaixo da média:
·
2º Exemplo:
·
Redações anuladas:
·
2º Exemplo:
·
Proposta 2
O enunciado propõe ao candidato que escreva um texto da posição de um líder de grêmio estudantil que tem recebido reclamações dos colegas sobre o ensino de ciências em sua escola e por isso convida a bióloga, professora, tuiteira e blogueira Tatiana Nahas para uma palestra a seus colegas e professores.Redações acima da média:
·
2º Exemplo:
·
Redações abaixo da média:
·
2º Exemplo: Redações anuladas:
·
2º Exemplo:
·
Proposta 3
O enunciado solicita que o candidato se coloque na posição de um articulista que redige um artigo jornalístico opinativo para uma série especial sobre cidades, a ser publicado em uma revista de grande circulação.Redações acima da média:
·
2º Exemplo:
·
Redações abaixo da média:
·
2º Exemplo:
·
Redações anuladas:
·
2º Exemplo:
·
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